Incêndios. Na primeira prova de fogo mostrámos a nossa impotência. Opinião

Incompreensão. Opinião, por Rui Gustavo, Expresso

incêndio monchique
 

Primeiro foi o calor extremo, agora é o vento forte: o incêndio de Monchique continua incontrolável pelo quinto dia consecutivo. Ontem, a meio da tarde, chegou a estar perto de ser declarado extinto, mas durante a noite e a madrugada entrou no perímetro urbano de Monchique, obrigando à evacuação de centenas de pessoas em várias aldeias. Hoje de manhã a situação é dramática e apesar de descida acentuada da temperatura, o vento forte é agora o inimigo.Já arderam 20 mil hectares de floresta, há casas destruídas e 29 pessoas ficaram feridas. As chamas ameaçaram o quartel dos bombeiros e o convento de Nossa Senhora do Desterro. Mais de mil homens combatem as chamas, alguns em condições muito precárias, como Expresso Diário denunciou ontem, noticiando o facto de haver bombeiros que combatem o fogo a dormir no chão .

O mais impressionante ou chocante de tudo isto é que estava, literalmente, escrito nas estrelas: antes do verão um estudo universitário identificava a zona de Monchique como aquela onde era mais provável que ocorressem grandes incêndios. Ainda em choque com as tragédias de Pedrógão e do Pinhal Interior – morreram mais de cem pessoas há menos de um ano, não podemos esquecer – o Governo anunciou um esforço nunca visto para prevenir e combater os incêndios. Nunca se limpou tanta mata e vegetação; os meios, ainda que insuficientes, também nunca terão sido tantos e, no entanto, à primeira prova de fogo continuamos a mostrar a nossa impotência.

É verdade que os fogos, como o vento e o calor, são inevitáveis. Mas há muito trabalho por fazer, a especialização das equipas e a profissionalização dos bombeiros, defendida pelas equipas de trabalho que analisaram os grandes fogos do ano passado ainda está por realizar e ainda não foi encontrada uma forma de interiorizar que o combate aos fogos se faz durante o ano todo. A associação de bombeiros profissionais vai pedir uma audiência ao ministro Eduardo Cabrita para tentar perceber porque é que cinco dias ainda não foram suficientes para extinguir o fogo. E o verão ainda está a meio.

O fogo está nas primeiras páginas de todos os jornais de hoje que ajudam a perceber o que ainda está mal. O Público noticia: « Plano de gestão para Monchique parado há sete meses ». Um projeto estruturante para Perna Negra, precisamente onde o fogo começou, está na gaveta à espera de aprovação perante a incompreensão da Associação de Produtores Florestais. Estavam previstos caminhos e pontos de água para combater os fogos. Parece simples. O Correio da Manhã publica uma foto impressionante das chamas a cercar Monchique e o JN, mais pessimista, descreve um « Inferno sem fim à vista« . No I, um problema: « 173 chamadas sem resposta » para o 112, no domingo. De acordo com este jornal, amanhã, quinta e sexta « meio país será atendido por apenas três pessoas ».É um ponto fraco. No DN, a rendição: « Fizemos tudo o que devíamos e perdemos tudo na mesma ». No Expresso Diário, o fim: « Não ficou nada para contar a história ».

Campeã mundial Inês Henriques quer o título europeu

Depois do título mundial, Inês Henriques tenta o título europeu

Portuguesa é uma das 19 atletas inscritas nos 50km marcha dos Campeonatos da Europa de atletismo.

A prova está a ser disputada em Berlim e começou na manhã desta terça-feira às 8h35 (hora de Paris, 7h35 em Portugal continental)

Cerca de uma hora depois do início, Inês Henriques estava destacada à frente da corrida, mas ainda faltava muito para o final.

Força, campeã.

Europeus de atletismo. Portugueses querem medalhas

Portugueses nos Europeus de atletismo acreditam em medalhas

Os dirigentes do atletismo nacional, preferem, contudo, não quantificar o número de pódios que esperam alcançar em Berlim.

Aqui fica a lista de selecionados para o Campeonato da Europa de Atletismo, competição que tem lugar em Berlim, de 6 a 12 de agosto.

Masculinos (15)
André Pereira (SLB) – 3000 m obstáculos
Carlos Nascimento (SCP) – 100 m e 4×100 metros
Diogo Antunes (SLB) – 4×100 metros
Diogo Ferreira (SLB) – Vara
Diogo Mestre (SLB) – 400 m barreiras
Francisco Belo (SLB) – Peso
Frederico Curvelo (SLB) – 4×100 metros
João Vieira (SCP) – 50 km marcha
José Pedro Lopes (SLB) – 100 metros e 4×100 metros
Nelson Évora (SCP) – Triplo Salto
Pedro Isidro (SLB) – 50 km marcha
Ricardo dos Santos (SLB) – 200 m, 400m e 4×100 metros
Samuel Barata (SLB) – 10000 metros
Tsanko Arnaudov (SLB) – Peso
Yazaldes Nascimento (SCP) – 100 metros e 4×100 metros
Femininas (20)
Ana Cabecinha (COP) – 20 km marcha
Cátia Azevedo (SCP) – 400 m e 4×400 metros
Dorothe Évora (SCP) – 4×400 metros
Edna Barros (COP) – 20 km marcha
Eliana Bandeira (JV) – Peso
Evelise Veiga (SCP) – Comprimento
Filipa Martins (SCP) – 4×400 metros
Inês Henriques (CNRM) – 50 km marcha
Inês Monteiro (SCP) – 10000 metros
Irina Rodrigues (SCP) – Disco
Joceline Monteiro (JV) – 4×400 metros
Lecabela Quaresma (JV) – Heptatlo e Triplo Salto
Liliana Cá (NLUZ) – Disco
Lorene Bazolo (SCP) – 100 m e 200 metros
Marta Pen (SLB) – 1500 metros
Patrícia Mamona (SCP) – Triplo Salto
Rivinilda Mentai (SLB) – 4×400 metros
Sara Catarina Ribeiro (SCP) – 10000 metros
Sara Moreira (SCP) – 10000 metros
Susana Costa (AFR) – Triplo Salto

Morreu Joël Robuchon, « um génio » da gastronomia

Morreu o chef Joël Robuchon, um dos mais conhecidos e mais célebres cozinheiros de sempre.

chef francës, galardoado com 24 estrelas, tinha 73 anos e morreu esta segunda-feira de doença prolongada.
Era considerado por alguns como « um génio da gastronomia » e, no seu campo, a grande cozinha, é o francês mais célebre do mundo.

Opinião. A eficácia dos Serviços Consulares e a proximidade com os emigrantes

« Serviços Consulares mais próximos dos portugueses no Mundo »

Por José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas; In DN

O relatório de atividades da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas relativo a 2017 ilustra um trabalho de bom serviço público aos portugueses no estrangeiro. Entre 2015 e 2016 havia aumentado em cerca de 100 mil o número de atos consulares e, no exercício de 2016 para 2017, ampliámos em mais 140 mil o número de atos realizados, alcançado o número histórico de mais de 2 milhões e 107 mil atos.

É natural que, em função das mudanças em curso no âmbito da modernização administrativa – desmaterialização de procedimentos -, este número venha a decair. O que proporcionará uma evolução no caminho de uma maior qualificação e humanização dos serviços.

Em primeiro lugar, a capacitação pessoal e institucional. Foram realizadas diversas ações de capacitação dos postos consulares que abrangeram 47 postos, 16 países, 164 associações e um total de 300 formandos. Acresce a este esforço a participação de vários trabalhadores dos postos consulares em 45 sessões de formação do Instituto Diplomático e do Instituto dos Registos e Notariado.

Em segundo lugar, merece relevo um atendimento marcado pela proximidade. Foram realizados mais de 86 mil atendimentos presenciais nos serviços de Lisboa e do Porto e dada resposta a mais de 23 mil interpelações por telefone e por correio eletrónico.

Em terceiro lugar, a ação de proteção consular. Os 1942 cidadãos portugueses detidos no estrangeiro, além das visitas, do acompanhamento em sede de apresentação perante as instituições judiciárias e da campanha de Natal, receberam 280 encomendas enviadas pelos seus familiares com o recurso à mala diplomática. O apoio social e a intermediação sanitária envolvendo o internamento hospitalar à chegada a território nacional a várias dezenas de cidadãos expulsos e repatriados, assim como a emissão de 9 mil títulos de viagem únicos e a emissão de 800 passaportes temporários, servem para mostrar o esforço de apoio e de proteção da administração consular a quem se encontra em situação de maior vulnerabilidade.

Em quarto lugar, a intervenção de emergência. O Gabinete de Emergência Consular realizou atendimentos a mais de 6 mil e 200 chamadas telefónicas e tratou de responder e encaminhar mais de 3 mil e 600 mensagens eletrónicas. Por altura do Furacão Irma, foram evacuados 70 cidadãos e garantido o apoio a mais de 2500 nacionais nas Antilhas e Caraíbas. A aplicação « Registo Viajante » foi lançada em janeiro de 2017, tendo permitido registar mais de 16 mil viagens monitorizáveis.

Em quinto lugar, a participação na produção legislativa, e consequente implementação, em domínios como o apoio ao associativismo, os documentos de identificação, a lei da nacionalidade, as alterações às leis eleitorais (com destaque para o recenseamento automático). Sem esquecer a transposição da diretiva europeia relativa à proteção consular aos cidadãos europeus em países terceiros, em cooperação com a Direção Geral dos Assuntos Europeus.

Foram, ainda, reforçadas as respostas de proximidade e de modernização, tais como a abertura de novos gabinetes de apoio ao emigrante; o lançamento do projeto piloto de Ato Único de Inscrição Consular; a abertura do Espaço do Cidadão em S. Paulo; ou os Diálogos com as Comunidades com vários membros do Governo, em Londres, Manchester e no Luxemburgo.

Foi possível, também, reafirmar uma administração que foi ao encontro das pessoas. As « Presenças Consulares » – que se traduzem na deslocação dos serviços ao encontro dos portugueses nos pontos mais distantes dos postos – permitiram percorrer 600 mil quilómetros, atender 34 mil utentes e praticar 43 mil atos.

Por último, a nova orientação política dada aos Consulados honorários. Foi realizado o trabalho que visa estabelecer e reforçar os critérios e a avaliação no seu funcionamento; a definição de parâmetros mais objetivos relativos à atribuição de poderes alargados e à correspondente atribuição de subsídio, bem como no que concerne à sua formação para a proteção e apoio consulares e para o contributo a dar à internacionalização do País. Neste âmbito foram criados dois novos Consulados honorários e designados 18 novos Cônsules honorários em 16 países.

Estes são elementos que atestam a eficácia dos serviços consulares, cuja ação se pode medir pela capacidade de resposta, mas também pela qualidade da prestação e pelo humanismo da mesma. É um caminho que tem sido feito e que há que continuar a percorrer.

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

Temperaturas descem em Portugal e sobem em França

Temperaturas começam a descer em Portugal nesta segunda-feira. Em França são esperadas temperaturas muito elevadas nesta segunda e terça-feira.

Em Portugal, as temperaturas máximas e mínimas vão começar a descer a partir desta segunda-feira, embora nos distritos de Portalegre e Castelo Branco ainda se mantenham os avisos laranja e vermelho, segundo o IPMA.

Em declarações à agência Lusa, a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Joana Sanches adiantou que na terça-feira está prevista uma nova descida da temperatura máxima, principalmente nas regiões do interior, entre os 8 e os 10 graus.

Este será o primeiro dia sem qualquer aviso meteorológico, depois da vaga de calor.

Para hoje, um dia ainda marcado por temperaturas elevadas, há possibilidade de ocorrência de trovoadas com aviso emitido para os distritos de Portalegre, Évora, Beja e Faro existindo ainda a previsão dessas ocorrências durante a manhã de segunda-feira nas regiões do interior.

Nos últimos dias Portugal enfrentou temperaturas muito elevadas, subindo de forma acentuada a partir de 1 de agosto, o que levou o IPMA a emitir avisos vermelhos em 11 dos 18 distritos de Portugal continental.

Durante estes dias foram atingidos máximos históricos em várias estações meteorológicas, nomeadamente em Lisboa, que no sábado chegou aos 44º.

No sábado, as temperaturas estavam às 17:00 acima dos 45 graus em 16 das 96 estações de medição de Portugal continental, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A temperatura mais elevada registada até às 17:00 de sábado foi 46,8 graus em Alvega, a que se seguiram: Santarém/F. Boa (46,3°), Alcácer do Sal (46,2°), Coruche e Alvalade do Sado (46,1°), Pegões (46,0º), Neves Corvo (45,8°), Setúbal (45,5°), Évora e Tomar (45,4°), Reguengos e Amareleja (45,3°), Avis, Viana do Alentejo e Portel (45,2°) e Mora (45,1°).

Em França os termómetros continuarão a subir segunda e terça-feira. Para amanhã, dia 07, prevê-se mesmo um dia « terrível », segundo fontes oficiais, Mas, na quarta-feira, as temperaturas também deverão começar a descer em França. Para segunda e terça são esperadas temperaturas acima dos 35 graus, podendo rondar mesmo os 40 graus, em diversas regiões, a de Paris incluída.

Alfa, com agências e jornais

Incêndios agravam-se em Portugal. Situação piora em Monchique e Marvão

Segundo a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil, os seis piores incêndios rurais ou florestais em curso localizavam-se neste domingo à tarde nos concelhos de Monchique, Lousada, Vila Nova de Famalicão, Almada, Marvão e Alfândega da Fé.

Com mais meios continua o combate às chamas do distrito de Faro, que deflagraram na localidade de Perna Negra, Monchique, depois das 13h de sexta-feira, o que obrigou à retirada de diversas pessoas de uma zona próxima da Portela do Vento e de outras localidades. Agora, já à noite, está a ser evacuada parte da vila de Monchique.

Pelas 17h, a combater o incêndio de Monchique estavam 831 homens, apoiados por 223 viaturas e 12 meios aéreos.  A situação estava a ficar muito complicada ao cair da noite, porque as chamas estavam à porta da vila.

À mesma hora, em Marvão, no distrito de Portalegre, estavam 148 operacionais, 38 viaturas e três meios aéreos a combater as chamas, que tiveram início depois das 15h de hoje.

Depois das 20h a situação era grave em Monchique: as chamas estavam já nos arredores da vila e habitantes estavam a ser evacuados.

Estava também a essa hora a ser reforçado o combate às chamas nas encostas do castelo de Marvão.

No total, ao cair da noite, mais de 1800 operacionais combatiam 39 incêndios em Portugal continental.
Entretanto duas jovens feridas num incêndio  em Estremoz foram internadas em estado grave e reservado em Lisboa.
Alfa/Expresso/Lusa/diários

Morreu o pintor José David. Viveu 45 anos em Paris

Morreu o artista plástico José David

José David, morreu na sexta-feira, 3 de  agosto, em Lisboa, vítima de doença prolongada.

Nasceu em 1938, em Almeirim. Trabalhou na restauração lisboeta e frequentou à noite a Sociedade de Belas Artes, tendo depois trabalhado numa agência de publicidade. Em 1969 emigrou para Paris, onde iniciou uma carreira de ilustrador, ao mesmo tempo que desenvolveu inúmeros trabalhos de pintura, sobretudo a óleo, mas também aguarela. Deixa uma vasta Obra.

Era um grande artista, que dedicou toda a sua vida à pintura. Trabalhava todos os dias desde manhã muito cedo, designadamente nas duas casas-ateliê que lhe conheci, desde 1980, em Monge e Montparnasse (Paris).

Viveu na capital francesa até 2014, altura em que regressou a Lisboa com a sua mulher, Françoise.

Era uma pessoa de rara sensibilidade. Humanista, tentava viver à parte da agitação do mundo e das mundanidades. Ele próprio era uma obra prima como ser humano.

Convivi muito com ele, éramos verdadeiramente amigos. Era uma pessoa simples e muito culta. Com ele aprendi muito sobre a vida, as pessoas, a amizade, a literatura, a arte e a pintura.

A Rádio Alfa apresenta à família e amigos as mais sentidas condolências. Nesta imagem, um autorretrato dele, pequena tela que tenho há muitos anos sempre ao meu lado.

Viveu e trabalhou até que a doença o impediu de o fazer há algumas semanas.

O velório será realizado no domingo, 5 de agosto, a partir das 17h, na capela São Francisco de Assis, na capital portuguesa, e o corpo irá para o crematório na segunda-feira.

Daniel Ribeiro.

Vaga de calor na Europa. Incêndios em Portugal.

A Europa está sob uma vaga de calor intenso. Registadas temperaturas superiores a 40 graus em várias regiões de Portugal.

Segundo dados oficiais, foi lançado o alerta vermelho em cerca de dez países europeus.

Itália e os Balcãs registam temperaturas muito elevadas, mas outros países estão a ser igualmente atingidos, como acontece em França e Portugal.

Em Portugal estavam envolvidos, ao fim do dia deste sábado,  centenas de operacionais no combate a nove incêndios ativos, segundo informação da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC). Nos locais dos nove incêndios, estavam 1.336 homens, 362 viaturas e 19 meios aéreos.

No distrito de Santarém, a Proteção Civil contabilizava três fogos, nomeadamente na localidade de Prado e no parque dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Zêzere. Duas viaturas dos bombeiros arderam.

Estas informações denunciam um agravamento da situação em Portugal Continental.

Fontes oficiais revelaram que ao fim da tarde de sábado estava em curso um incêndio em Pancas, no distrito de Santarém, e outro em Silveiras, concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal .

Uma das situações mais complicadas continuava a verificar-se em Monchique, onde deflagrou um fogo na sexta-feira, na localidade de Perna da Negra, tendo obrigado a retirar habitantes das aldeias das Taipas e de Foz do Carvalhoso.

Ao início desta tarde, encontravam-se em Monchique 735 homens, 196 viaturas e nove meios aéreos. Os restantes incêndios estavam em resolução ou em conclusão. Face à dimensão do incêndio, o Plano Municipal de Emergência de Monchique foi ativado ao início da madrugada de hoje.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) alertou para risco de incêndio muito elevado a máximo no distrito de Faro e em concelhos dos distritos de Castelo Branco, Portalegre, Santarém e Beja.

As previsões metereológicas continuavam a apontar para a continuação de temperaturas elevadas em Portugal e em diversos países europeus, designadamente também em França, onde as temperaturas deverão subir nos próximos dias por exemplo na região de Paris.

Para além de Portugal, bombeiros e militares combatem dezenas de incêndios na Albânia, país que pediu apoio de emergência à União Europeia. A Sérvia, Bósnia, Macedónia e a Croácia estão também a tentar conter os muitos fogos que lavram nos seus territórios.

Alfa – com agências e jornais.

Venezuela. Muitos portugueses na miséria, muitos deles vivem em favelas. Governo português acusado de não ajudar

Governo diz que tem de “respeitar a soberania de cada Estado” após ser acusado de não ajudar portugueses na Venezuela.

FOTO FEDERICO PARRA/AFP/GETTY IMAGES

Mais de metade da população venezuelana vive em situação de pobreza extrema e entre eles estão “milhares de portugueses” em “condições más, muitos deles em favelas”, e que continuam “a não ser ajudados” o suficiente pelo Governo português.

À denúncia da Venexos, associação que apoia imigrantes venezuelanos em Portugal, o Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas responde estar atento à situação mas diz que não pode fazer um protocolo para agilizar a recolha e envio de medicamentos, como propõe a associação.

(Alfa. Adaptação de um trabalho do Expresso, por Helena Bento)

Mais de três toneladas em medicamentos e outras centenas de quilos em alimentos parece uma quantidade razoável de ajuda, mas para um país onde mais de metade da população vive em pobreza extrema e oito em cada dez medicamentos não estão disponíveis nas farmácias, isso não é suficiente.

Essa é a certeza de Cristian Hohn, presidente da Venexos, associação de apoio a imigrantes venezuelanos em Portugal, que por isso diz ter feito chegar ao Governo, através do seu secretário de Estado para as Comunidades Portuguesas, vários pedidos da ajuda.

A associação de que é presidente recolhe medicamentos fora de uso em algumas farmácias e envia para a Venezuela. Mas como essa recolha não só não é suficientemente abrangente como é feita de modo informal, foi solicitado ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, através de um dossiê que lhe foi entregue em mãos no ano passado e enviado por e-mail duas vezes, uma autorização formal para a recolha de medicamentos nas farmácias, com o apoio do Infamed e da Sociedade Portuguesa de Farmácias.

“Não queremos dinheiro. Queremos apenas que o Governo valide a nossa campanha de recolha de medicamentos, que dê o seu aval. É diferente chegar a uma farmácia e dizer que tenho um protocolo com o Governo do que chegar e limitar-me a pedir medicamentos”, diz Cristian Hohn, citando o exemplo de Itália, “que tem um acordo com o consulado italiano na Venezuela que permite o envio de medicamentos através de uma fundação que depois os distribui pelos italianos que vivem no país”.

Meses depois, a associação continua à espera de uma resposta. Vivem atualmente na Venezuela cerca de 500 mil portugueses e lusodescendentes.

Segundo o Expresso, Governo de Lisboa responde às acusações de não ajudar os emigrantes portugueses no país dizendo que tem de « respeitar a soberania de cada Estado »