Chico Buarque, com cravos vermelhos na janela, vai cantar Grândola, Vila Morena “alto e bom som”
O escritor, cantor e compositor, Chico Buarque, que estaria neste 25 de Abril em Lisboa a receber o Prémio Camões 2019 se não fosse a pandemia, gravou uma mensagem de “saudação aos amigos portugueses” pelo 25 de Abril, que a editora Companhia das Letras Portugal publicou nas redes sociais.
Chico Buarque vai colocar cravos vermelhos na sua janela e cantar Grãndola Vila Morena “alto e bom som”-
O escritor e compositor Chico Buarque, autor de Fado Tropical, fez um vídeo com uma mensagem para os amigos portugueses na qual diz: “Este ano eu pretendia estar na festa do 25 de Abril porque os organizadores do Prémio Camões me deram a honra de marcar a cerimónia para esta data. Infelizmente não estou aí, não haverá entrega de prémios nem descerei com vocês a Avenida [da Liberdade]. Mas esta tarde, deixarei na janela cravos vermelhos e e cantarei alto e bom som Grãndola Vila Morena de Zeca Afonso ».
Covid-19/Portugal. Mais 26 mortes, 595 casos e 49 recuperações. 880 mortes no total
Covid-19/Portugal: continua o « planalto », com mais 26 mortes, 595 casos e 49 recuperações.
Informação oficial: Portugal com 880 mortos e 23.392 infetados
Epidemiologistas citados pelo Expresso pedem cautela com o fim do estado de emergência e o Governo pondera decretar a situação de calamidade pública.
O balanço deste sábado da covid-19 em Portugal indica que se registaram 23.392 infetados, 880 mortos e 1.277 recuperados.. O número de internados é agora de 1.040, menos 28 do que na sexta-feira.
A taxa de crescimento dos infetados, é de 2,6%, superior à de ontem (2%), mas dentro do que se tem registado nos últimos dias. A situação atual continua por isso a poder ser descrita como de « planalto ».
Quanto aos óbitos, registam-se menos oito do que ontem (34), um aumento de 3%. Também aqui a progressão parece contida: ao longo de toda a semana, as taxas de aumento das mortes têm oscilado entre 2,9% e 4,5%.
« O 25 de Abril é essencial e tinha de ser invocado » – PR Marcelo
« O 25 de Abril é essencial e tinha de ser invocado », disse o Presidente da República durante as cerimónias oficiais na Assembleia da República, em Lisboa.
O Presidente Marcelo defendeu as celebrações do 25 de Abril no parlamento considerando que a data « é essencial para o país e tinha de ser invocada ».
E o PR Marcelo acrescentou sobre a cerimónia de Abril: « Seria vergonhoso » a Assembleia demitir-se dos seus poderes quando mais importa.
O Presidente da República defendeu com veemência a cerimónia na Assembleia da República de evocação do 25 de Abril.
« A Assembleia da República nunca parou de funcionar. Discutiu e votou o mais importante em sessões plenárias. Ao fazê-lo trabalhou e trabalha. Tem-no feito e fá-lo hoje também respeitando as indicações sanitárias. O que seria vergonhoso era haver um país neste « sacrifício e entrega » e a « Assembleia da República demitir-se » do exercício dos seus poderes numa altura em que são cada vez mais imprescindíveis, defendeu.
Questionando se esta não é uma « festa de políticos » responde: « Não, não é uma festa de políticos alheia ao clima e de privação vivido na sociedade portuguesa ».
Marcelo falou sempre a favor da cerimónia. « Num tempo de confinamento de tantos portugueses, como foi na Páscoa e Ramadão, não estamos a dar um mau exemplo em estado de emergência? Não. O estado de emergência implica um reforço extraordinário dos poderes do Governo e porque vivemos em liberdade e democracia, quanto maiores os poderes do Governo, maiores devem ser os da Assembleia da República para o controlar ».
Grândola Vila Morena. Um hino à liberdade que atravessou fronteiras e mares
Grândola Vila Morena. Uma canção símbolo da liberdade cuja importância vai além do seu criador (José Afonso, também conhecido por Zeca Afonso) e de um país.
É uma criação, um hino à liberdade e à fraternidade, que atravessou fronteiras e mares e que inspirou muitos outros artistas. Uma pesquisa de Fernando Silva seguida de um podcast especial para celebrar os 50 anos da Revolução dos Cravos:
25 de abril. Ouça os sons históricos. Capitães ouviram e a ditadura cairia horas depois
Dois sons históricos do 25 de Abril de 1974. Foi nos Emissores Associados de Lisboa e na Rádio Renascença. Capitães ouviram e a ditadura salazarista cairia horas depois.
Primeira « senha »: E depois do Adeus de Paulo de Carvalho (letra de José Niza, música de José Calvário), ordem para os soldados se prepararem, às 22h55 do dia 24 de Abril de 1974, nos Emissores Associados de Lisboa:
Segunda « senha »: Grândola Vila Morena de Zeca Afonso, ordem para as tropas saírem dos quartéis, à 00h20 do dia 25 de abril de 1974, na Rádio Renascença:
Assim começou a cair a ditadura portuguesa durante um golpe de Estado que se transformou a seguir numa revolução pacífica e popular que foi notícia de grande destaque e saudada por todas as democracias do mundo.
Fica aqui o testemunho daquele que estava com Zeca Afonso no dia da gravação da Grândola Vila Morena no Château d’Hérouville em 1971. Nesse dia, Zeca estava acompanhado do guitarrista Carlos Correia, do produtor José Mario Branco e do seu amigo e cantor, Francisco Fanhais. Entrevista exclusiva para o ALFA 10/13 com Didier Caramalho:
Os Sogranora estão de volta com trabalho feito em casa
Cerca de um ano depois do lançamento do seu primeiro single, “Semilisboeta”, os Sogranora regressaram
ontem com um EP concebido e elaborado totalmente a partir do conforto das suas casas.
O Ricardo, o Tomás e o Vasco estavam em estúdio a trabalhar naquele que seria o primeiro EP da banda,
mas o confinamento obrigou a uma adaptação do método de trabalho. Com a interrupção das gravações
em curso, decidiram dar início a um novo projeto: um outro EP, de três músicas, gravado a partir da casa
de cada um, com pouco mais do que um microfone e os respetivos instrumentos.
O novo EP “ Altivez e Castigo ” é descrito pela banda como “uma viagem de dezasseis minutos pelo deserto isolado”, como a capa assim o ilustra.
Neste trabalho, a banda foge do género de composição dos seus primeiros temas. A primeira faixa, “Se
Ficares Sem Chão”, representa a insegurança e a procura do amor, numa viagem de nove minutos que
passa por diferentes cenários. O segundo tema, “Apófis”, é um instrumental de sonoridade exótica que
remete para o caos e o conflito inconstante. O trabalho termina com “Terraço”, uma música sobre a
esperança de que eventualmente tudo acaba bem.
O EP “ Altivez e Castigo ” está disponível no YouTube, e nos dias seguintes em todas as plataformas
digitais.
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« Futuro Suspenso » é o novo trabalho de Mk Nocivo
Em « Futuro Suspenso » aborda-se o tema do momento, o COVID19, o estado da nação e do mundo através da perspectiva de um artista Português, emigrado em Paris, confinado em casa, em isolamento social mas nunca impedido de se exprimir e entregar a sua perspectiva realista, directa e interventiva como tem vindo a habituar o seu público.
A música também recebe um suporte visual, com imagens capturadas apenas com um telemóvel, dentro de quatro paredes em confinamento.
Vitor Santos conversou com Mk Nocivo sobre este novo tema, e não só
Entretanto veja aqui o novo video feito em casa…
MK Nocivo é natural de Bragança, despertado pelo Hip Hop em 1998, depois de ouvir o clássico « It’s Like That » dos RUN DMC. Rapper e produtor é considerado um artista diferente, « A Excepção À Regra » é como o próprio se define, seguindo uma linha maioritariamente interventiva e incisiva, apresentando também uma versatilidade e adaptação a diferentes estilos musicais que não deixa ninguém indiferente.
Foi vencedor do Rock Rendez Worten 2008 e finalista do concurso de bandas Sumol Summer Fest, em 2014. No ano seguinte sagrou-se vencedor do NOS Live Act, tendo marcado presença no cartaz do NOS Alive. Foi também homenageado e nomeado Sócio Honorário pelos Bombeiros Portugueses pelo tema « Soldado da Paz ».
Em termos de discografia, conta com dois álbuns e 5 mixtapes, além de várias participações em projectos nacionais e internacionais, tendo tido o prazer de apresentar os mesmos um pouco por todo o território nacional, Espanha, França, Suiça e Luxemburgo.
É um artista de causas, tendo apoiado várias acções de solidariedade e apoio social, como a iniciativa « Ser Humano – Hip-Hop por Uma Causa », a missão « Santa Claus », o « Movimento Vencer e Viver » da Liga Portuguesa Contra o Cancro, iniciativa « Santo Contestável », entre outros.
Actualmente encontra-se a residir em Paris a preparar o seu novo trabalho « RONIN – Samurai Sem Mestre » ainda sem data de lançamento mas já com o primeiro single disponível, o tema « Igual » com a participação de Lu Semedo.
« Filha de Emigrantes » é um dos temas bem conhecido dos ouvintes da Rádio Alfa, com a participação de Vanessa Martins.
25 de abril. « Grândola vila morena », a canção que se tornou o hino da Revolução dos Cravos
A canção « Grândola Vila Morena » de José Afonso que se tornou no símbolo da liberdade em Portugal.
Letra (com tradução em francês)
Grândola vila morena
Grândola ville brune
Terra da fraternidade
Terre de fraternité
O povo é quem mais ordena
Le peuple est celui qui commande le plus
Dentro de ti ó cidade
En toi, cité
Dentro de ti ó cidade
En toi cité
O povo é quem mais ordena
Le peuple est celui qui commande le plus
Terra da fraternidade
Terre de fraternité
Grândola vila morena
Grândola ville brune
Em cada esquina um amigo
A chaque côté un ami
Em cada rosto igualdade
A chaque face, l’égalité
Grândola vila morena
Grândola ville brune
Terra da fraternidade
Terre de fraternité
Terra da fraternidade
Terre de fraternité
Grândola vila morena
Grândola ville brune
Em cada rosto igualdade
A chaque face l’égalité
O povo é quem mais ordena
Le peuple est celui qui commande le plus
À sombra de uma azinheira
A l’ombre d’un chêne vert
Que já não sabia a idade
Qui ne connait pas son âge
Jurei ter por companheira
J’ai juré d’avoir pour compagne
Grândola a tua vontade
Grândola, ta volonté
Grândola a tua vontade
Grândola, ta volonté
Jurei ter por companheira
J’ai juré d’avoir pour compagne
À sombra de uma azinheira
A l’ombre d’un chêne vert
Que já não sabia a idade
Qui ne connais pas son âge
Fica aqui o testemunho daquele que estava com Zeca Afonso no dia da gravação da Grândola Vila Morena no Château d’Hérouville em 1971. Nesse dia, Zeca estava acompanhado do guitarrista Carlos Correia, do produtor José Mario Branco e do seu amigo e cantor, Francisco Fanhais. Entrevista exclusiva para o ALFA 10/13 com Didier Caramalho:
O 25 de Abril mais estranho de sempre. AR comemora só com 46 deputados. Reportagem/Expresso
Descer a avenida… mas à janela. Hoje, o 25 de Abril não desce a Avenida da Liberdade. Pela primeira vez, a festa da revolução faz-se à janela. Memórias de quem tem lugar cativo

João Paralta, o homem que costuma conduzir a chaimite na avenida, sente este ano “um vazio” com a viatura parada FOTO TIAGO MIRANDA
Alfa – Uma reportagem do Expresso por ANA SOFIA FONSECA
O almoço tem de estar pronto cedo. É comer, lavar a louça e “ala que se faz tarde”. Todos os anos, a mesma história. É certo e sabido que, às três da tarde, o Marquês de Pombal é um cravo sorridente. Vem gente de toda a parte, uns de longe, outros de perto. Excursões, grupos de amigos, velhos e novos. Carolina Fontela sabe de cor a rotina do calendário. Tem 19 anos, desde pequena que 25 de Abril tem endereço certo: Avenida da Liberdade, Lisboa. Este ano, a vida em suspenso. Gente aos magotes não rima com estado de emergência e a Associação 25 de Abril não convocou o tradicional desfile popular. A estudante de Direito anda a habituar-se à ideia: “Parece que estamos a viver, ao mesmo tempo, um filme a preto e branco e um de ficção científica. Não temos liberdade para ir para a rua, mas por causa de um vírus.”
Não fosse a pandemia e Carolina havia de levar a tarde inteira com a avó. Ainda a louça a pingar e já elas na avenida: “Para a minha avó, é o dia mais importante do ano.” Da vida inteira. Foi há 46 anos que, um acaso do destino, a fez saltar para a História. Passava do meio-dia quando Celeste Caeiro se tornou Celeste dos Cravos. A mulher que deu nome à revolução que, numa madrugada, derrubou mais de quatro décadas de ditadura. A neta não esconde orgulhos: “Foi ela quem começou a distribuir cravos brancos e vermelhos pelos soldados. Na escola, quando dávamos o 25 de Abril, havia sempre uma fotografia da minha avó nos livros.” Cresceu a percorrer a avenida ao seu lado, uma multidão a querer “uma fotografia com a Celeste”.
Carolina, neta da florista Celeste, que ofereceu os cravos aos soldados, também vai comemorar à janela
Descer a Avenida da Liberdade faz parte das comemorações do 25 de Abril há quatro décadas. Até então, na capital, a revolução era assinalada com uma sessão solene na Assembleia da República e uma parada militar. Por vezes, festa no Parque Eduardo VII. Na primeira página, “O Diário de Lisboa” de 27 de abril de 1981 dá conta da estreia: “Raras vezes a cidade de Lisboa terá visto uma tal multidão a desfilar pela Avenida da Liberdade.” De lá para cá, este é o primeiro ano sem engarrafamento de gente. Vasco Lourenço, um dos capitães de abril, tem lugar certo na primeira linha de marchantes: “Tirando dois anos em que a dor nos joelhos me obrigou a juntar-me à festa apenas no Rossio, desci sempre a avenida. É uma jornada que marca o dia e o ano das pessoas. Desta feita, teremos de celebrar de outra forma.” À janela, que é onde o confinamento mais nos aproxima da rua.
O presidente da Associação 25 de Abril prossegue: “Convidamos todas as pessoas para irem à janela cantar ‘Grândola Vila Morena’.” Às 15 horas, a canção de Zeca Afonso há de arrepiá-lo como há 46 anos, naquela noite em que a música teve honras de senha. Mal os primeiros acordes soaram na rádio, o capitão de infantaria teve a certeza de que já nada podia deter o golpe em marcha. Há muito que empenhava a vida na conspiração e o regime tanto o trazia debaixo de olho que, dias antes, havia-o despachado para os Açores. Tantas reuniões e, no momento decisivo, a um oceano de distância do posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
CHAIMITE PARADA
Avenida abaixo, Carolina perde sempre a conta a quantos abraços a avó soma. O rosto da miúda faz lembrar Celeste, no retrato que tirou aos 20 anos, quando abandonou o orfanato onde cresceu. Ficou-lhe o gosto pela fotografia. João Paralta já a viu posar junto à chaimite. Terá até recebido um cravo das suas mãos. Desde que a viatura de guerra alinha no desfile, é ele o condutor. Tinha 14 anos quando a mãe, na esperança de o livrar da guerra colonial, lhe arranjou serviço nas oficinas do Exército. Quem diria que, em tempos de paz, seria ele o homem da chaimite? A descer a avenida, “acontecem histórias para o ano”. Uma vez, o carro avariou ainda no Marquês de Pombal. O desfile inteiro a suar nervos e a encher, “com uma garrafinha”, o depósito da bomba de travões. Hoje, lamenta a sorte: “Está a chegar o dia e eu aqui parado, já devia estar a tratar do carro.” Suspira. “Um homem reclama que é sempre a mesma coisa, mas a verdade é que é uma tristeza ser diferente. Este ano há um vazio.” Também Carolina sente o rombo no calendário, mas guarda certezas: “Mesmo longe da avenida, temos de comemorar. Estamos confinados em casa, mas podemos falar à-vontade. Eu estou na faculdade. Antes do 25 de Abril, não poderia estudar para ser juíza.” Sabe bem do que fala, a avó bem amargou os usos da ditadura. Filha de pai desconhecido, foi mãe solteira, “foi malvista”. Na avenida, é estrela.
FALTAS POR TRABALHO, CASAMENTO… E COVID-19
Quem também não falha a avenida é Pedro Vieira. Começou a participar na juventude e depressa caiu de amores. Aos 44 anos, o escritor e guionista não tem dúvidas: “Para mim, é o dia mais feliz do ano. É o meu Natal.” Os pais nunca alinharam na política, mas sempre lhe mostraram quanto a revolução dos cravos havia mudado o seu mundo. Conheceram bem a cartilha da maioria dos filhos do Estado Novo — de barriga vazia, cedo os bancos da escola trocados pelas lides do trabalho. O golpe dos capitães garantia aos filhos outra leveza, melhor futuro. “Tenho muita consciência do valor da liberdade e de quanto quem sou se deve a essa data.”
Na memória, guarda apenas duas ausências na avenida. A primeira há mais de dez anos, quando não conseguiu folga na livraria onde trabalhava. Manhã cedo, antes de pegar ao serviço, atravessou a avenida sozinho. No silêncio, o significado da data à flor da pele. A segunda foi há seis anos para trocar alianças de cravo na lapela. Casou no dia em que a revolução celebrou 40 anos. Alguns convidados chegaram afogueados à cerimónia, ainda embalados pelo “ambiente” da avenida.
Este ano será a terceira vez que não pisa a avenida. Nem pólen a despertar alergias nem abraços nem um copo de Ginginha a fechar a tarde, no Rossio. “A avenida não se desce por uma excecionalidade enorme e impensável, por isso, é mais fácil aceitar a frustração. Para o ano, sem pandemia, regressaremos com alegria redobrada.” Hoje, em cada janela, cabe a avenida inteira.
