Lille elimina Marselha da Taça de França nos penáltis

O Olympique de Marselha perdeu em casa esta terça-feira com o Lille nos 16 avos de final da Taça de França (1-1, 3-4 gp). Os Dogues garantem assim o seu lugar nos oitavos de final da competição.

 

Os primeiros resultados dos 16 avos de final da Taça da França:

-Reims (D1) 1-1, 3-1 gp Mónaco (D1)
-Bastia (D2) 0-1 Nice (D1)
-Guingamp (L2) 2-2, 9-8 gp Sochaux (L2)
-Le Mans (N1) 1-1, 4-3 gp Valenciennes (N1)
-Dives-Cabourg (N3) 1-0 Le Puy (N2)
-OM (L1) 1-1, 3-4 gp Lille (L1)

O PSG deslocou-se quarta-feira até ao reduto do Espaly, clube que atua no quinto escalão do futebol francês, e venceu por 2-4, num jogo em que Gonçalo Ramos foi titular e marcou um dos golos da formação parisiense.

Com este resultado, o PSG garantiu a presença nos «oitavos» da Taça de França, assim como o Bourgoin Jallieu, que levou a melhor sobre o Lyon por 3-2.

 

Alguns resultados dos 16 avos:

Espaly-PSG, 2-4

Brest-Nantes, 2-1

Cannes-Lorient, 2-1

Quevilly Rouen-Angers, 2-3

Thaon-Estrasburgo, 2-3

Toulouse-Laval, 2-1

Troyes-Rennes, 1-0

Bourgoin Jallieu – Lyon, 3-2

Benfica vence Farense e qualifica-se para os ‘quartos’ da Taça de Portugal

O Benfica, recordista de vitórias na prova, qualificou-se hoje para os quartos de final da Taça de Portugal em futebol, ao vencer o Farense por 3-1, em encontro dos ‘oitavos’, realizado no Estádio São Luís, em Faro.

O norueguês Schjelderup, aos 56 minutos, o brasileiro Arthur Cabral, aos 58, e o dinamarquês Bah, aos 62, marcaram os golos dos ‘encarnados’, que no sábado tinham conquistado a Taça da Liga, depois de Tomané adiantar os anfitriões, aos sete.

Nos ‘quartos’, entre 04 a 06 de fevereiro, o Benfica recebe o vencedor do jogo entre o Sporting de Braga e o Lusitano de Évora, do Campeonato de Portugal, e, se chegar às ‘meias’, enfrenta, a duas mãos, Elvas ou Tirsense, também do quarto escalão.

 

Resultados dos oitavos de final da Taça de Portugal de futebol:

– Quarta-feira, 18 dez:

(+) Sporting (I) – Santa Clara (I), 1-1 (2-1 ap)

 

– Sábado, 21 dez:

(+) Tirsense (CP) – Rebordosa (CP), 1-0

Oliveira do Hospital (L3) – (+) São João de Ver (L3), 1-3

 

– Domingo, 12 jan:

(+) Elvas (CP) – Vitória de Guimarães (I), 2-1

Casa Pia (I) – (+) Rio Ave (I), 1-3

(+) Gil Vicente (I) – Moreirense (I), 1-0

 

– Terça-feira, 14 jan:

Farense (I) – (+) Benfica (I), 1-3

 

– Quarta-feira, 15 jan:

(+) Sporting de Braga (I) – Lusitano de Évora (CP), 2-1

 

(+) – Apurado para os quartos de final.

 

QUARTOS DE FINAL:

– Quarta-feira, 05 fev:

Gil Vicente (I) – Sporting (I)

Elvas (CP) – Tirsense (CP)

Benfica (I) – Sporting de Braga (I)

Rio Ave (I) – São João de Ver (L3)

 

MEIAS-FINAIS (primeira mão em 01, 02 ou 03 de abril e segunda em 22, 23 ou 24 de abril):

Elvas (CP)/Tirsense (CP) – Benfica (I)/Sporting de Braga (I)

Gil Vicente (I)/Sporting (I) – Rio Ave (I)/São João de Ver (L3)

Notas:

I: I Liga

L3: Liga 3

CP: Campeonato de Portugal

 

Com Agência Lusa.

Novo governo francês apresenta programa e já luta pela sobrevivência

O novo primeiro-ministro de França, o quarto num ano, apresentou esta terça-feira o seu programa de governo, defendendo a necessidade de reformas, tanto do Estado como da Segurança Social.

Logo no início da sua apresentação, contrariando as expectativas da oposição, especialmente do Partido Socialista, em quem François Bayrou aposta para obter apoios alargados no Parlamento, o primeiro-ministro francês recusou deixar cair a proposta de alargamento da idade da reforma, apresentada pela sua antecessora, Elisabeth Borne, mas admitiu negociar.
Dos atuais 62 anos, a idade de reforma deverá assim subir para 63 anos, em 2026 e para 64 anos, em 2030, de forma a fazer face aos custos crescentes com pensões, numa altura em que a taxa populacional francesa está igualmente em queda livre. Soube-se esta terça-feira que nunca, desde 1945, o número de nascimentos foi tão baixo no país.
As pensões custam atualmente ao Estado francês 380 mil milhões de euros anuais, lembrou Bayrou, ao passo que as contribuições para o sistema por parte dos empregados, tanto públicos como privados, ronda os 325 mil milhões de euros ao ano.
Para financiar o restante, o Estado francês pede emprestados todos os anos entre 40 a 45 mil milhões de euros emprestados, prosseguiu Bayroux.
« Uma dívida que, antes de mais, é um problema moral » já que pesa nas próximas gerações, acrescentou, defendendo que « a reforma das pensões é vital para o nosso país e para o nosso modelo social ».
Ciente que este dossier pode significar a queda do seu executivo e para ganhar tempo, o primeiro-ministro francês anunciou que o tema irá contudo ser debatido com os parceiros sociais, « em breve e de forma transparente », uma vez que « existem vias de progresso ».
Para isso, vai ser pedido « nas próximas semanas » ao Tribunal de Contas de França, um relatório que faça o retrato « preciso e atualizado do financiamento do sistema de pensões ». « Se não houver acordo com os parceiros para alternativas de financiamento num prazo de três meses, será a reforma atual que continuará em vigor », ameaçou.

François Bayrou, nomeado primeiro-ministro em meados de dezembro de 2023, não dispõe de uma maioria de apoios na Assembleia Nacional sendo obrigado a negociar.

O desafio é conseguir a neutralidade à esquerda quanto ao sistema de apoios sociais, sem alienar o centro e a direita, os quais defendem um esforço coletivo para garantir um financiamento perene das pensões.

François Bayrou lembrou que o país nunca esteve tão endividado.
« Todos os partidos de governo sem exceção têm responsabilidades nesta situação ao longo das últimas décadas. Quem, entre os partidos de oposição, pediu despesa adicional tomou igualmente parte neste tango fatal que nos trouxe à beira do precipício », acusou, perante protestos das bancadas.
Circunstância que o levou a defender uma ampla reforma do Estado, para que este se torne sustentável e deixe de ser um sorvedouro de dinheiro.
Bayrou anunciou assim um « fundo especial » que será consagrado « inteiramente à reforma do Estado », « de forma a poder investir, por exemplo, no desenvolvimento da inteligência artificial nos nossos serviços públicos ».
As « 1000 agências ou organismos do Estado constituem um labirinto que dificilmente satisfaz um país rigoroso », justificou, referindo que o fundo será financiado por ativos « em particular imobiliários, que pertencem ao poder público ».
Outra iniciativa será « a criação de um banco da democracia », para que partidos políticos e sindicatos se « possam financiar sem ter de recorrer a estratégias de evasão », nem dependam « das opções da banca privada », mas cujas iniciativas e campanhas « possam eventualmente ser obra de organismos públicos sob controlo do Parlamento ».

François Bayrou anunciou ainda que a contribuição das instituições públicas para o Orçamento do Estado será de 2,2 mil milhões de euros, em vez dos 5,5 mil milhões previstos na proposta do governo antecedente, de Michel Barnier.

O primeiro-ministro francês considerou ainda importante rever as reclamações feitas pelos « coletes amarelos » há seis anos e procurar a « harmonia » na imigração, uma questão premente « em todo o mundo » que em França pode encontrar soluções na « proporcionalidade », conseguindo que os imigrantes sejam absorvidos sem serem considerados uma ameaça.
Com RTP, Agência Lusa e BFMTV.

Tribuna Desportiva – 13 Janeiro 2025

Um programa de Manuel Alexandre com Armindo Faria, Marco Martins e Eric Mendes. Atualidade Desportiva, Entrevistas, Comentários, Crónicas e Reportagens.

Tribuna Desportiva é um programa desportivo da Rádio Alfa às Segundas-feiras, entre as 21h e as 23h. Redifusão às zero horas, na noite de quarta para quinta-feira (seguinte).

Primeira hora:

 

Segunda hora:

 

 

Tribuna Desportiva, Emissão de 13 Janeiro 2025 – Em estúdio Tiago Rocha, Andebol, Tremblay e Seleção Portugal

Mudam-se os tempos… mudam-se as numerações da TNT

A paisagem audiovisual francesa vai sofrer uma transformação significativa a partir de 6 de junho de 2025, com a nova numeração da TNT anunciada pela Arcom, o regulador de comunicação audiovisual.

Um dos destaques desta mudança é a saída do Canal+ do histórico canal 4, como forma de protesto pela decisão de não renovar as licenças da C8 e NRJ 12. Assim, a quarta posição será ocupada pela France 4, que atualmente se encontra na posição 14. Com esta mudança, os canais públicos da France Télévisions passam a dominar as posições de 2 a 5, consolidando um bloco de grande peso no panorama televisivo.

Outro impacto relevante é a substituição da C8 pelo canal LCP/Public Sénat, anteriormente na posição 13. Enquanto isso, a NRJ 12 cede o seu lugar à Gulli, que até agora ocupava o canal 18. A Gulli passa então para a posição 12.

Nesta reorganização, a BFMTV sobe do canal 15 para o 13, seguida da CNews no canal 14, LCI no 15 e Franceinfo no 16. Este alinhamento foi cuidadosamente planeado para facilitar o acesso aos canais de notícias em contínuo, apesar de ter gerado críticas de alguns setores privados.

Contrariando algumas previsões, o canal CStar não será afetado por estas mudanças e mantém-se na posição 17. Já os canais 18 e 19 serão ocupados por dois novos canais: um criado pelo grupo CMI Média e outro pelo grupo Ouest-France.

Image "Le Parisien" (14/01/2025), article "Et les bons numéros sont…"

Até à data de implementação destas mudanças, o público terá de lidar com uma grelha provisória e irregular, marcada por lacunas nas posições 8, 12 e 19. Assim, será possível saltar diretamente de Arte para W9 ou de TFX para LCP/Public Sénat durante um tempo.

A nova numeração representa uma grande remodelação na TNT francesa, marcando o início de uma nova era no audiovisual. Resta agora observar como o público reagirá a estas mudanças e como os novos canais irão desempenhar os seus papéis na concorrida paisagem mediática de França.

Livraria Lello faz esta semana 119 anos

A Livraria Lello (antes Livraria Chardron, de 1869 a 1919) é uma livraria portuguesa, cuja sede situa-se no número 144 da Rua das Carmelitas, no Centro Histórico do Porto. Classificada como Monumento de Interesse Público, a Livraria Lello preserva a beleza original do seu edifício.

Sendo uma das mais antigas livrarias portuguesas, e em virtude do seu ímpar valor histórico e artístico, a Livraria Lello tem sido reconhecida como uma das mais bonitas livrarias do mundo por diversas personalidades e entidades, casos como o do escritor espanhol Enrique Vila-Matas, do jornal britânico The Guardian, da estação televisiva CNN, e da editora australiana de guias de viagens Lonely Planet.

A empresa remonta à fundação da « Livraria Internacional de Ernesto Chardron », em 1869, na Rua dos Clérigos, n.º 96-98, no Porto. Antigo empregado da Livraria Moré, o cidadão francês Ernest Chardron alcançou projeção como editor, sendo o primeiro a publicar grande parte das obras de Camilo Castelo Branco e outras de relevo na época, como o Tesouro da Literatura Portuguesa, de Frei Domingos Vieira. Após o falecimento do fundador, aos 45 anos de idade, a casa-editora foi vendida à firma « Lugan & Genelioux, Sucessores » que, pouco depois, ficou com Mathieux Lugan como seu único proprietário. Em 1891, a Livraria Chardron adquiriu os fundos de três casas livreiras do Porto, pertencentes a A. R. da Cruz Coutinho, Francisco Gomes da Fonseca e Paulo Podestá.

Segunda-feira, dia 13 de janeiro, a livraria festejou 119 anos!

Portugueses no Canadá financiam projeto para preservar história e criar cátedra sobre comunidade

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A Universidade de York, no norte de Toronto, no Canadá, assegurou um financiamento de 500 mil dólares (338 mil euros) doados pela comunidade portuguesa para o Projeto de História Luso-Canadiana (PCHP), disse à Lusa o responsável daquela iniciativa.

Este montante permitirá apoiar as atividades do projeto durante cinco anos (desde abril de 2024) e fortalecer os esforços para criar uma cátedra permanente de estudos da comunidade portuguesa na mesma universidade.

Em declarações à Lusa, Gilberto Fernandes, investigador da Universidade de York e responsável do projeto, explicou que o objetivo central da iniciativa é garantir uma estrutura permanente para o estudo e valorização das comunidades portuguesas no Canadá e em toda a diáspora.

O investigador destacou que o apoio da comunidade foi essencial para alcançar o montante inicial de 500 mil dólares, mas sublinhou que o objetivo final é mais ambicioso.

“Para garantir a sustentabilidade de uma cátedra permanente, precisamos de reunir entre 3 a 5 milhões de dólares (2 a 3,4 milhões de euros). Este fundo permitirá que a posição seja autossustentada e mantida indefinidamente, financiando o salário do professor responsável, bem como outros custos associados à posição”.

Fundado em 2008, o PCHP é uma organização sem fins lucrativos que colabora com a Universidade de York e o instituto Camões. O projeto visa preservar, digitalizar e divulgar material material arquivístico que documente a história dos imigrantes portugueses e seus descendentes no Canadá.

Fernandes destacou a importância desta missão: “O nosso trabalho tem sido crucial para preservar histórias e arquivos que poderiam perder-se, e para garantir que as futuras gerações compreendam o papel vital que os luso-canadianos desempenharam na construção deste país. Este é um projeto feito pela comunidade e para a comunidade”.

Segundo o investigador, o financiamento agora angariado permitirá dar continuidade ao trabalho de recolha de novas coleções, de investigação e produção académica, e a realização de novas atividades e recursos que visam envolver o público e promover a história da diáspora portuguesa.

“Além de preservar a memória histórica, estas iniciativas fortalecem os laços entre investigadores, estudantes e a comunidade, criando um espaço para a partilha de conhecimento e colaboração”, afirmou.

Em 16 de outubro de 2024, o PCHP celebrou o seu 15.º aniversário na Biblioteca Scott, no campus Keele da Universidade de York, com uma receção que marcou o anúncio oficial dos 500 mil dólares angariados.

“Foi uma oportunidade não só para celebrar o nosso percurso, mas também para agradecer à comunidade portuguesa pelo apoio financeiro e moral que tem dado ao projeto. Foi um momento para reafirmar o compromisso de continuar a expandir este trabalho e garantir que a nossa história seja preservada e reconhecida”, disse Fernandes.

O investigador também destacou o papel de parceiros institucionais como o instituto Camões, a Embaixada de Portugal e o Consulado-Geral em Toronto: “Sem o apoio destas entidades, seria impossível alcançar o progresso que temos feito”.

Com a criação da cátedra permamente, espera-se beneficiar diretamente cerca de 3.000 estudantes, especialmente os da Universidade de York e dos programas do instituto Camões no Ontário. Além disso, a cátedra terá um impacto mais amplo, ao posicionar a Universidade de York como um centro de excelência nos estudos da diáspora portuguesa.

“Queremos que esta cátedra seja um marco nos estudos da diáspora portuguesa, à semelhança do que já existe para outras comunidades, como as italianas, gregas e judaicas. É um reconhecimento da importância da nossa história e um legado para as futuras gerações,” concluiu Gilberto Fernandes.

O financiamento de 500 mil dólares é apenas o começo de uma campanha de angariação de fundos que continuará nos próximos anos.

“Estamos confiantes de que, com o apoio da comunidade e de parceiros institucionais, conseguiremos atingir a meta de criar uma cátedra que reflita a importância e o contributo dos portugueses no Canadá e no mundo,” afirmou Fernandes.

Rádio Alfa com Lusa

Ronaldo prepara-se para assinar o contrato mais caro da história

O internacional português, Cristiano Ronaldo, continua a deixar a sua marca tanto dentro como fora dos relvados, mantendo-se como uma das maiores figuras do futebol mundial.

De acordo com informações avançadas pelo jornal saudita Al Khabar, o avançado português, que está a poucas semanas de completar 40 anos, está prestes a renovar o seu contrato com o Al Nassr por mais um ano, com um aumento significativo no valor da sua remuneração.

Este novo acordo fará com que Cristiano Ronaldo receba aproximadamente 200 milhões de euros anuais, englobando o seu salário fixo e as receitas provenientes dos seus direitos de imagem.

O jogador passará a ganhar cerca de 3,8 milhões de euros por semana, o que corresponde a quase 550 mil euros por dia, consolidando-se como o atleta mais bem pago da história do futebol.

 

Com Agências.

Papa condena populismos e defende divorciados e homossexuais na sua autobiografia

O Papa Francisco lamenta o crescimento dos populismos, defende os homossexuais e divorciados, e critica os tradicionalistas católicos ao mesmo tempo que pede um novo papel da Igreja num tempo de conflitos e incertezas, comparável ao primeiro milénio.

Na sua autobiografia Esperança, que sai hoje para as livrarias, Francisco avisa para o risco do populismo em que vários países estão mergulhados: “as promessas que se baseiam no medo, acima de tudo, o medo do outro são a censura habitual dos populismos e o início das ditaduras e das guerras. Pois para o outro, o outro és tu”.

No seu livro de mais de 350 páginas, o Papa recordou também a declaração que assinou sobre as “bênçãos aos irregulares”, numa referência aos divorciados ou católicos que não cumpram as exigências da doutrina, publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, em dezembro de 2023.

“Abençoam‑se as pessoas, não as relações”, porque “na Igreja, são todos convidados, mesmo as pessoas divorciadas, mesmo as pessoas homossexuais, mesmo as pessoas transexuais”, escreve Francisco, comentando a polémica.

A “primeira vez que um grupo de transexuais veio ao Vaticano, saíram a chorar, comovidas porque lhes tinha dado a mão, um beijo… Com se tivesse feito algo de excecional para elas. Mas são filhas de Deus! Podem receber o batismo nas mesmas condições dos outros fiéis e nas mesmas condições dos outros, podem ser aceites na função de padrinho ou madrinha, bem como ser testemunhas de um casamento”, acrescentou o Papa, que condenou as leis contra a homossexualidade.

“São mais de 60 os países no mundo que criminalizam homossexuais e transexuais, uma dezena até com a pena de morte, que por vezes é efetivamente aplicada”, mas “a homossexualidade não é um crime, é um facto humano e a Igreja e os cristãos não podem, por isso, permanecer indolentes diante desta injustiça criminosa”, defende.

Sobre as reformas que imprimiu na Igreja, Francisco considera que nunca esteve sozinho no processo de decisão, minimizando a resistência em setores da Igreja, “na maioria das vezes ligadas a um escasso conhecimento ou a alguma forma de hipocrisia”.

“Os pecados sexuais são aqueles que a alguns causam mais rebuliço”, mas “não são, de facto, os mais graves”, ao contrário de outros como “a soberba, o ódio, a mentira, a fraude ou a prepotência”.

“É estranho que ninguém se preocupe com a bênção de um empresário que explora as pessoas, e esse é um pecado gravíssimo, ou com quem polui a casa comum, enquanto se escandaliza quando o Papa abençoa uma mulher divorciada ou um homossexual”, comenta no livro editado pela Nascente, da editora Penguin Random House.

Já sobre as tendências para um regresso ao tradicionalismo, como as missas em latim, pré-Concílio Vaticano II, Francisco recorda que essa possibilidade só será concedida em “casos particulares”, porque “não é saudável que a liturgia se torne ideologia”.

No que respeita à guerra na Ucrânia, Francisco recorda que, no dia a seguir à invasão da Rússia, cancelou todas as audiências e dirigiu-se pessoalmente à embaixada russa na Santa Sé.

“Era a primeira vez que um Papa o fazia” e “foi um Papa claudicante que se apresentou ao embaixador Avdeev para exprimir toda a preocupação”, recorda, acrescentando: “implorei o fim dos bombardeamentos, augurei o diálogo, propus uma mediação do Vaticano entre as partes, dizendo estar disposto a ir a Moscovo o mais depressa possível”, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros iria responder depois que este “não era o momento”.

“O povo ucraniano não é apenas um povo invadido, é um povo mártir, perseguido já nos tempos de Estaline com um genocídio por fome, o Holodomor, que causou milhões de vítimas” e, nestes conflitos, “os interesses imperiais, de todos os impérios, não podem, uma vez mais, ser postos à frente das vidas de centenas de milhares de pessoas”, acrescentou.

“Atualmente, existem 59 guerras em curso no mundo: conflitos declarados entre nações ou grupos organizados, étnicos, sociais”, entre outros, envolvendo quase um terço das nações, elencou o Papa.

Isto “deveria bastar para desmascarar a insensatez da guerra como instrumento de resolução dos problemas: é apenas uma loucura que enriquece os mercadores de morte e que os inocentes pagam”, escreveu Francisco, que se mostra preocupado com o peso crescente das redes sociais e dos processos de desinformação.

“Aquela democracia pela qual os nossos avós lutaram em tantas partes do mundo, não parece gozar de ótima saúde, exposta também ela ao risco de uma virtualização que substitui a participação ou o vazio de significado”, com um “sistema informativo baseado nas redes sociais, nas mãos de poderosíssimas oligarquias”.

Quanto ao futuro, escreve, “a Igreja seguirá em frente, na sua história”.

“Eu sou apenas um passo” e “também o papado amadurecerá; eu espero que amadureça, olhando também para trás, que assuma cada vez mais o papel do primeiro milénio”, resumiu.

Para o dirigente religioso, a Igreja deve “sair da rigidez, o que não significa cair no relativismo, mas seguir em frente” e “escapar à tentação de controlar a fé, pois o Senhor Jesus não deve ser controlado, não precisa de cuidadores nem de tutores”.

“O Espírito é liberdade” e “a liberdade é também risco”, avisou.

O livro Esperança, escrito na primeira pessoa em colaboração com Carlos Musso, chega hoje às livrarias para assinalar o Jubileu da Igreja Católica, dedicado ao mesmo tema.

Na obra, Francisco conta as suas origens como Jorge Bergoglio, nascido em 1936, filho de imigrantes italianos e o seu percurso individual, parte dele durante a “longa e terrível noite” da ditadura argentina.

 

Com Agência Lusa.

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