Apoio financeiro às associações portuguesas: apenas para as que o merecem. Opinião

Abriu o processo de candidaturas para pedidos de apoio financeiro para as associações portuguesas no estrangeiro, via Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas.

Mas Portugal não deve financiar associações que apenas organizam bailaricos. Volte a ouvir aqui a última crónica de Carlos Pereira, jornalista e diretor do Lusojornal:

Diuréticos nas bebidas. Alto funcionário francês obrigava mulheres a urinar à sua frente

É um escândalo incrível em França, parece uma mentira do dia 1 de abril, mas é verdade e é relatado nesta sexta-feira com muitos pormenores pelos jornais franceses, Libération e Le Parisien: um alto funcionário do ministério da Cultura misturava diuréticos nas bebidas e obrigava desse modo as mulheres a urinarem à sua frente.

A sua « tara perversa », que incluia também uma obsessão por fazer fotografias às escondidas das pernas das mulheres, foi descoberta e ele foi processado e colocado sob controlo judicial.

 Cehaut fonctionnaire du ministère de la Culture est soupçonné d’avoir glissé des diurétiques dans les boissons de candidates lors d’entretiens et les forçant parfois à uriner devant lui.
Segundo o Libération, que publica uma extensa investigação sobre o caso, ele teve essas práticas – designadamente as de colocar as mulheres a urinar à sua frente – durante quase dez anos.
De acordo com este jornal foram dezenas as mulheres que foram obrigadas, devido aos diuréticos, a urinar à sua frente.
Estes casos aconteceram durante entrevistas privadas, designadamente com mulheres que procuravam um emprego no ministério da Cultura.
Um total de 200 mulheres, entre 2009 e 2018, incluindo as que viram as suas pernas fotografadas às escondidas, foram obrigadas a essas práticas.
Uma das vítimas disse ao Libération: « Urinei no chão, quase junto aos seus pés, senti-me humilhada e fiquei cheia de vergonha ».

Morna foi classificada Património da Humanidade pela UNESCO

Morna foi classificada Património Mundial – ministro da Cultura de Cabo Verde

Morna foi classificada Património Mundial - ministro da Cultura de Cabo Verde

Alfa/Lusa

O género musical morna foi classificado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, anunciou o ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, numa decisão que será ratificada em dezembro.

« Caros cabo-verdianos, tenho a sorte, a honra e o privilégio de vos comunicar que hoje o comité técnico dos peritos da UNESCO aprovou o dossiê da morna a Património da Humanidade », revelou Abraão Vicente, na noite de quinta-feira, na sua página pessoal no Facebook.

Na mensagem nesta rede social, o ministro adiantou que “a decisão será ratificada em dezembro”, na Colômbia, “mas a nação já pode celebrar: a morna já é Património da Humanidade ».

A publicação é acompanhada de três fotografias com tocadores e cantores de morna, e uma cópia da passagem do texto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês) que decide classificar o género musical cabo-verdiano.

Esta semana, durante uma visita à Cidade Velha, sítio histórico classificado como Património Mundial da Humanidade na ilha de Santiago, Abraão Vicente disse que a morna seria elevada a Património Imaterial da Humanidade ainda este mês.

Cabo Verde apresentou em março do ano passado a candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, cuja decisão pública deverá ser conhecida entre 09 e 14 de dezembro, em Bogotá, Colômbia, durante a reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da UNESCO.

O dossiê cabo-verdiano contou com colaboração do antropólogo Paulo Lima, especialista português na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, como o fado, o cante alentejano e a arte chocalheira.

Supremo brasileiro anula prisão em segunda instância e Lula poderá ser libertado

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O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro anulou hoje a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, alterando um entendimento adotado desde 2016, numa decisão que poderá levar à libertação do ex-Presidente Lula da Silva.

Com a decisão, réus condenados só poderão ser presos após o trânsito em julgado, ou seja, depois de esgotados todos os recursos. A única exceção será em caso de prisões preventivas decretadas.

Com esta mudança, 38 condenados no âmbito da Lava Jato, maior operação contra a corrupção no Brasil, serão beneficiados, segundo o Ministério Público Federal. Entre eles está o ex-chefe de Estado brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril do ano passado, após ser condenado em segunda instância no caso de um apartamento de luxo na cidade do Guarujá, no litoral do estado de São Paulo.

O ex-Presidente brasileiro foi preso após ter sido condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), num processo sobre a posse daquele apartamento, que os procuradores alegam ter sido dado a Lula da Silva como suborno em troca de vantagens em contratos com a estatal petrolífera Petrobras pela construtora OAS.

No total, a nova decisão abre caminho para libertar cerca de 5.000 réus, segundo o Conselho Nacional de Justiça brasileiro.

Alfa/Lusa

PR agradece pessoalmente ao sem-abrigo que resgatou recém-nascido em Lisboa

Presidente Marcelo agradece pessoalmente ao sem-abrigo que resgatou recém-nascido em Santa Apolónia

MÁRIO CRUZ/LUSA

Presidente da República seguiu da Web Summit para a zona do Lux e encontrou-se com o sem-abrigo que salvou o bébé na noite de terça-feira. Presidente destacou o “gesto cívico e humano” do cidadão

Alfa/Expresso

Marcelo Rebelo de Sousa encontrou-se esta quinta-feira à tarde com o sem-abrigo que resgatou um bebé de um contentor de lixo na zona de Santa Apolónia, em Lisboa. Saído da Web Summit, o Presidente da República dirigiu-se de seguida para o local onde quis ir agradecer pessoalmente o « gesto cívico e humano » do cidadão que salvou o bebé.

Antes, em declarações à saída da Web Summit, no Parque das Nações, onde esteve esta quinta-feira na sessão de encerramento, o Presidente elogiou o gesto do homem que disse querer conhecer e « agradecer-lhe pessoalmente ».

O recém-nascido, do sexo masculino, foi encontrado e entregue aos cuidados do INEM, que o encaminhou para o Hospital da Estefânia. Tudo aconteceu na noite de terça-feira, quando o próprio Marcelo se encontrava, noutro local, reunido com vários sem-abrigo de Lisboa.

Na altura, o Presidente salientou a necessidade de perceber se o novo Governo tenciona mesmo implementar as políticas já aprovadas em lei com vista a acabar com os sem-abrigo até 2023. « É preciso saber se o novo Governo quer cumprir esse objetivo », salientou o PR, sublinhando que aprovar as leis não chega.

Sporting e SC Braga vencem, FC Porto perde em Glasgow e complica apuramento

O Sporting de Braga reforçou hoje a liderança do Grupo K da Liga Europa em futebol, colocando-se a um ponto dos 16 avos de final, ao vencer em casa o Besiktas por 3-1, em encontro da quarta jornada.

 

 

Paulinho, aos 15 e 37 minutos, e Wilson Eduardo, aos 81, apontaram os tentos dos ‘arsenalistas’, enquanto o ex-vimaranense Tyler Boyd faturou, aos 29, para os turcos, que jogaram com 10 desde os 44, por expulsão de Jeremain Lens.

Na classificação, o ‘onze’ de Ricardo Sá Pinto passou a somar 10 pontos, contra nove do Wolverhampton, que bateu em casa por 1-0 o Slovan Bratislava, terceiro, com quatro. O Besiktas segue em último, com quatro derrotas em quatro jogos.

 

 O Sporting ascendeu hoje à liderança do Grupo D, ao somar o terceiro triunfo consecutivo, no reduto do lanterna-vermelha Rosenborg, por 2-0.

 

 

Depois de ter vencido em casa os nórdicos por 1-0, os ‘leões’ ganharam em Trondheim com tentos do central uruguaio Sebastián Coates, aos 16 minutos, e de Bruno Fernandes, que apontou o seu terceiro tento no agrupamento, aos 38.

Na classificação, o Sporting passou a somar nove pontos, contra sete do LASK, que subiu ao segundo lugar, ao bater em casa por 4-1 o PSV Eindhoven, agora terceiro, também com sete. Os noruegueses continuam a zero e estão eliminados.

 

O FC Porto complicou as contas do apuramento para os 16 avos de final, ao perder 2-0 em Glasgow frente aos escoceses do Rangers, em jogo do grupo G.

 

A derrota dos ‘dragões’ começou a desenhar-se já à entrada para os últimos 20 minutos, com os golos de Morelos, aos 69 minutos, e de Steven Davis, aos 73.

Com esta vitória, o Rangers igualou o Young Boys na liderança do grupo com sete pontos – os suíços empataram 1-1 em casa dos holandeses do Feyenoord -, enquanto o FC Porto é quarto com quatro pontos, os mesmos do Feyenoord.

 

Conheça os resultados das partidas da 4ª jornada da fase de grupos da Liga Europa.

 

Grupo A:
APOEL – Qarabag, 2-1
Dudelange – Sevilha, 2-5

Grupo B:
FC Copenhaga – Dínamo Kiev, 1-1
Lugano – Malmo, 0-0

Grupo C:
Basileia – Getafe, 2-1
Krasnodar – Trabzonspor, 3-1

Grupo D:
LASK Linz – PSV Eindhoven, 4-1
Rosenborg – SPORTING, 0-2

Grupo E:
Cluj – Rennes, 1-0
Lazio – Celtic, 1-2

Grupo F:
Standard Liège – Eintracht Frankfurt, 2-1
V. GUIMARÃES – Arsenal, 1-1

Grupo G:
Glasgow Rangers – FC PORTO, 2-0
Feyenoord – Young Boys, 1-1

Grupo H:
Espanhol – Ludogorets, 1-1
Ferencvaros – CSKA Moscovo, 0-0

Grupo I:
Wolfsburgo – Gent,  1-3
Oleksandria – Saint-Étienne, 2-2

Grupo J:
Borussia Moenchengladbach – Roma, 2-1
Wolfsberger – Istambul, 0-3

Grupo K:
Wolverhampton – Slovan Bratislava, 1-0
SC BRAGA – Besiktas, 3-1

Grupo L:
Manchester United – Partizan Belgrado, 3-0
Astana – AZ Alkmaar, 0-5

 

Alfa/Lusa.

Macron diz que NATO está em “morte cerebral” e Europa está em risco

Macron diz que NATO está em “morte cerebral” e Europa está em risco

LUDOVIC MARIN/GETTY IMAGES

Presidente francês defende que é fundamental “clarificar os objetivos estratégicos da NATO” e “muscular a defesa” da Europa

Alfa/Lusa/Expresso

OPresidente de França, Emmanuel Macron, alertou esta quinta-feira que a organização de defesa que junta a Europa aos Estados Unidos, a NATO, está em « morte cerebral » devido ao afastamento dos EUA e ao comportamento da Turquia.

Numa entrevista esta quinta-feira publicada pela revista The Economist, Emmanuel Macron defendeu ser fundamental « clarificar os objetivos estratégicos da NATO », referindo a necessidade de « muscular a defesa da Europa ».

Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), criada em 1949 para promover a defesa mútua contra um ataque por qualquer entidade externa à organização, vão reunir-se em Londres no início de dezembro.

« Não há qualquer coordenação das decisões estratégica entre os Estados Unidos e os parceiros da NATO e estamos a testemunhar uma agressão feita por outro parceiro, a Turquia, numa área em que nossos interesses estão em jogo », sublinhou o Presidente francês.

« O que aconteceu é um enorme problema para a NATO ».

A Turquia lançou a 9 de outubro uma ofensiva contra a milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG), que considera terrorista, mas que foi apoiada pelos países ocidentais na luta contra o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico.

A ofensiva aconteceu poucos dias depois de os Estados Unidos se terem retirado da região, tendo a Rússia, principal aliado de Damasco, acabado por se posicionar como árbitro entre a Turquia e a Síria.

O conflito foi discutido numa reunião dos ministros da Defesa dos Aliados, em 25 de outubro, sendo que a Turquia ficou isolada e os Estados Unidos foram particularmente críticos.

Na entrevista hoje publicada, o chefe de Estado francês questiona o futuro do artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, que prevê a solidariedade militar entre os membros da NATO se um deles for atacado.

« Como funcionará o artigo 5.º no futuro? Se o regime de Bashar al-Assad decidir retaliar contra a Turquia, [os Estados da NATO] envolvem-se? Isto é uma questão real », disse Emmanuel Macron.

« Estamos empenhados em combater o Daesh (acrónimo árabe do grupo extremista Estado Islâmico). O paradoxo é que a decisão dos EUA e a ofensiva turca têm, em ambos os casos, um mesmo resultado: o sacrifício dos nossos parceiros no terreno, que se bateram contra o Daesh, as Forças Democráticas da Síria (FDS) », alertou.

As FDS, dominadas por combatentes curdos, foram apoiadas por uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico, antes da recente retirada dos norte-americanos da Síria.

Isto, para o Presidente francês, torna ainda « mais essencial uma Europa da defesa – uma Europa que deve dotar-se de autonomia estratégica e militar – e, por outro lado, mostra a necessidade de reabrir um diálogo estratégico, sem ingenuidade, com a Rússia », disse.

« O Presidente [norte-americano, Donald] Trump, por quem tenho respeito, coloca a questão de a NATO ser um projeto comercial. Segundo diz, é um projeto em que os Estados Unidos funcionam como um guarda-chuva geopolítico, mas em que exigem, em contrapartida, uma exclusividade comercial, é uma razão para comprar [artigos] norte-americanos. A França não assinou [o tratado] para isso », alertou.

O Presidente francês admitiu ainda estar alarmado com a « extraordinária fragilidade da Europa », afirmando que esta « desaparecerá » se não « se considerar como uma potência no mundo ».

« Não quero dramatizar, procuro ser lúcido », sublinhou, apontando três grandes riscos para a Europa: « esquecer-se de que é uma comunidade », o « desalinhamento » da política norte-americana em relação ao projeto europeu e o surgimento da China como potência « que, claramente, marginaliza a Europa ».

« Durante 70 anos, administrámos um pequeno milagre geopolítico, histórico e civilizacional: uma equação política sem hegemonia que permitiu a paz. (…) Mas hoje há uma série de fenómenos que nos colocam à beira do precipício », sublinhou Macron, que também considera que a União Europeia se está a esvair com o ‘Brexit' ».

O Presidente francês acredita que « a Europa se esqueceu que é uma comunidade e vê-se, cada vez mais, como um mercado em expansão », o que, para Macron, corresponde a um « profundo fracasso » porque essa visão « está a reduzir o alcance político do projeto desde os anos 90 ».

Euro 2020. Éder ‘herói’ do Euro2016, regressa aos convocados da seleção portuguesa

O avançado Éder, ‘herói’ da conquista portuguesa no Euro2016, regressa aos convocados da seleção portuguesa de futebol, hoje divulgados, para os dois últimos jogos no Grupo 8 de qualificação para o Campeonato da Europa de 2020.

O avançado que representa o Lokomotiv Moscovo foi utilizado pela última vez pelo selecionador Fernando Santos em 20 de novembro de 2018, ao entrar na parte final do jogo da Liga das Nações com a Polónia, que terminou empatado 1-1.

Éder foi principal responsável pela conquista do primeiro título de campeão europeu por Portugal, ao marcar o golo da vitória sobre a anfitriã França na final do Euro2016, já no prolongamento (109 minutos) do jogo disputado no Stade de France, em 10 de julho daquele ano.

As lesões dos médios William Carvalho e André Gomes e dos avançados Rafa, João Félix e Gonçalo Guedes abriram a porta à chamada de jogadores habitualmente menos utilizados, como Éder, mas também os avançados Podence, Diogo Jota e Gonçalo Paciência, novidades em relação à convocatória anterior.

Portugal está obrigado a vencer a Lituânia, no Estádio Algarve, em 14 de novembro, e no Luxemburgo, em 17, para assegurar o segundo lugar do Grupo B e o apuramento direto para o Euro2020, independentemente dos resultados obtidos pela Sérvia nos dois últimos jogos de apuramento.

Segunda classificada do grupo, atrás da Ucrânia – que já garantiu o primeiro lugar -, a equipa campeã europeia até pode qualificar-se para a fase final já na próxima quinta-feira, caso se imponha à lanterna-vermelha e a Sérvia, terceira colocada, com menos um ponto, não vencer na receção ao Luxemburgo.

Lista dos 25 convocados:

– Guarda-redes:

Beto (Goztepe, Tur), José Sá (Olympiacos, Gre) e Rui Patrício (Wolverhampton, Ing).

– Defesas:

Nelson Semedo (FC Barcelona, Esp), Ricardo Pereira (Leicester, Ing), José Fonte (Lille, Fra), Pepe (FC Porto), Rúben Dias (Benfica), Ruben Semedo (Olympiacos, Gre), Mário Rui (Nápoles, Ita) e Raphael Guerreiro (Borussia Dortmund, Ale).

– Médios:

Danilo Pereira (FC Porto), Rúben Neves (Wolverhampton, Ing), Bruno Fernandes (Sporting), João Mário (Lokomotiv Moscovo, Rus), João Moutinho (Wolverhampton, Ing) e Pizzi (Benfica).

– Avançados:

Bernardo Silva (Manchester City, Ing), Bruma (PSV Eindhoven, Hol), Podence (Olympiacos, Gre), André Silva (Eintracht Frankfurt, Ale), Cristiano Ronaldo (Juventus, Ita), Diogo Jota (Wolverhampton, Ing), Éder (Lokomotiv Moscovo, Rus) e Gonçalo Paciência (Eintracht Frankfurt, Ale).

Alfa/Lusa.

 

 

 

Caso abala Portugal. Recém-nascido encontrado em caixote do lixo em Lisboa

Recém-nascido encontrado por um sem-abrigo em caixote do lixo em Lisboa. O recém-nascido foi encontrado num contentor  perto de um estabelecimento de diversão noturna, na Avenida Infante D. Henrique, em Lisboa. O caso está a abalar Portugal

Um recém-nascido do sexo masculino foi esta terça-feira encontrado no interior de um caixote do lixo em Lisboa, tendo sido transportado com vida para o Hospital D. Estefânia, disse à Lusa fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP).

« Um recém-nascido foi encontrado ao final da tarde por um sem-abrigo no interior de um caixote do lixo, ainda com vestígios do cordão umbilical », afirmou fonte da PSP. Segundo a mesma fonte, o recém-nascido foi encontrado num contentor perto de um estabelecimento de diversão noturna, o Lux, na Avenida Infante D. Henrique, em Lisboa.

« Foi transportado para o Hospital D. Estefânia num estado de fragilidade, mas com vida », acrescentou. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária.

O sem-abrigo que encontrou o bebé recem-nascido dentro o caixote do lixo em Lisboa, na noite desta terça-feira, contou em exclusivo ao Correio da Manhã o que viu. « Ele estava roxo e com frio », revelou.

Carlos do Carmo diz adeus aos palcos neste sábado no Coliseu dos Recreios

É um monstro sagrado da música, do fado e da cultura portuguesa, e também « un grand citoyen », como se diria em França. É um grande amigo da nossa rádio e foi ele que inaugurou a nossa Sala Vasco da Gama. Carlos do Carmo diz adeus aos palcos neste sábado no Coliseu dos Recreios

Carlos do Carmo diz adeus aos palcos neste sábado no Coliseu dos Recreios

 

Alfa com Lusa.

 

Carlos do Carmo decidiu que “é altura de acalmar” e por isso diz adeus aos palcos no próximo sábado com um espetáculo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde começou a cantar há 57 anos.

Sublinhando que a saída “é só de cena, dos palcos”, Carlos do Carmo, em entrevista à agência Lusa, afirmou que a decisão “não foi difícil” de tomar, “foi pensada” e « este era o momento”.

“Tomei-a no ano passado. São 57 anos a cantar, quase no mundo inteiro. São poucos os países onde não cantei. Foi muita viagem, [foram] muitos hotéis, muitos palcos, é muita coisa e é uma altura boa de acalmar. E como gosto muito de ouvir cantar bem, ainda me vou desforrar a ouvir quem canta bem”, disse o fadista à Lusa.

“Quem fizer uma carreira como eu fiz — e há gente da nova geração, felizmente, que a está a fazer –, com ar paternalista, recomendo: ‘cuidado com a tua saúde, vai, faz, tens todo o direito, quanto há vento é que se molha a vela, mas muito cuidado com a tua saúde, estas coisas da saúde não avisam e quando tu estiveres mal é que vais ver que o esforço é inglório’”, disse.

Carlos do Carmo recusa-se a salientar qualquer uma das salas onde já cantou, “pois seria até ingrato, não era justo estar a escolher um ou outro”, mas salientou “o peso da emigração”, que sempre o recebeu “como um rei”.

“Passei momentos muito bonitos em grandes salas, em salas mais modestas. Às vezes estava em Paris e aparecia alguém que me perguntava se eu não me importava de ir cantar ao seu restaurante com os meus guitarristas, e eu ia cantar para 50/60 pessoas, e isso dava-me muito prazer, não tive esses preconceitos”, declarou.

O fadista afirmou que “é muita coisa vivida, [são] muitas experiências”, num percurso profissional de 57 anos.

Carlos do Carmo, distinguido em 2004 com um Grammy Latino de carreira, cantou no Olympia e no Auditório Nacional, em Paris, no Le Carré, em Amesterdão, no Place des Arts, em Montreal, no Canadá, nas óperas de Frankfurt e de Wiesbaden, na Alemanha, no ‘Canecão’, no Rio de Janeiro, e no Memorial da América Latina, em S. Paulo, no Brasil, no Royal Albert Hall, em Londres, entre muitas outras salas.

O 25 de Abril de 1974 deu-lhe “uma alegria imensa”, nomeadamente porque pôs fim à censura.

“Olhando para trás, nós podemos dizer mil coisas da ditadura. Há quem tenha grandes razões, porque foi maltratado, preso, torturado, o cinismo que havia por detrás disso tudo [dessa violência]. Agora não há coisa mais estúpida e [maior] agressão à inteligência que é a censura”, sentenciou o fadista que se afirma “um homem de esperança”, defensor do diálogo entre gerações, que acredita que « o futuro será melhor ».

“Há uma coisa que é segura, a loucura que está aí instalada, que não é pouca, parece que o mundo endoideceu. Isto é um ciclo. Não sei se o vou ver melhor, mas que os meus filhos e os meus netos vão, não tenho dúvidas”, afirmou o fadista à Lusa.

Referindo-se ao concerto, já esgotado, do próximo sábado, na sala das Portas de Santo Antão, Carlos do Carmo disse que foi “todo construído” pelo filho Alfredo de Almeida, que é o seu agente, o que lhe acontece pela primeira vez na carreira.

“Não dei um palpite. Nunca me aconteceu na minha carreira, pois sou sempre eu que faço o guião, o alinhamento”, enfatizou, acrescentando que os dois concertos anteriores, em Braga e no Porto, “correram muito bem”.

A acompanhá-lo vai estar um trio já habitual, composto por José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença, na viola, e Marino de Freitas, na viola baixo.

Carlos do Carmo, que completará em dezembro 81 anos, é, segundo a “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”, uma “figura marcante no estabelecimento de mudanças na tradição fadista », sendo uma das “suas maiores referências, com reconhecimento nacional e internacional”.

Filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998), “uma das vozes mais marcantes” do fado no século XX, segundo a mesma fonte, Carlos do Carmo cresceu num ambiente fadista. Desde 1947 que sua mãe era proprietária da casa de fados Adega da Lucília, no Bairro Alto, em Lisboa, atual Arcadas do Faia, que passou a ser gerida por Carlos do Carmo em 1962.

Este não era o plano traçado para si pelos pais que, em 1956, o enviaram para a Suíça para estudar línguas e gestão hoteleira.

A vocação musical despertou porém em 1963, quando gravou um fado da sua mãe, “Loucura”, num disco do Quarteto de Mário Simões.

Carlos do Carmo revelou, ao longo da carreira, “uma voz límpida e uma dicção clara cuidadosamente ajustada ao sentido dos poemas”, segundo a Enciclopédia dirigida pela etnomusicóloga Salwa Castel-Branco, onde se lê ainda que as alterações que fez no fado foram influenciadas pelos seus gostos musicais que incluem referências da bossa nova, de Frank Sinatra e Jacques Brel, de quem gravou “La valse a mille temps”.

Depois do 25 de Abril, tornou-se “o representante máximo do fado novo”, segundo a mesma fonte.

O artigo que lhe é dedicado na Enciclopédia recorda que em 1976 a RTP o convidou a interpretar todas as canções concorrentes ao Festival da Canção, “Uma canção para Europa”, o que “confirmou a sua posição de destaque no panorama musical português”.

Carlos do Carmo representou Portugal no 21.º Festival da Eurovisão, realizado em Haia, com “Uma Flor de Verde Pinho”, tendo-se classificado em 18.º lugar.

No ano seguinte saiu o seu álbum “Um Homem na Cidade”, totalmente constituído por poemas de José Carlos Ary dos Santos (1937-1984), musicados por José Luís Tinoco, Paulo de Carvalho, Martinho d’Assunção, António Victorino d’Almeida e Fernando Tordo.

Este álbum “apontou diferentes tendências que vieram a verificar-se como agentes da mudança da tradição musical do fado”, assinala a Enciclopédia, que realça “algumas inovações musicais notáveis”, mantendo a estrutura harmónica tonal.

Esta obra refere “a produção de elevada qualidade técnica” de Carlos do Carmo, patente nos seus trabalhos.

Carlos do Carmo tem gravado com regularidade desde 1980, quando saiu um álbum homónimo, e ainda não disse adeus aos estúdios.