Revolução dos Cravos. Emmanuel Macron: A Europa deve muito aos capitães de abril

25 Abril: Macron enaltece papel dos portugueses na democracia europeia

 

O Presidente francês, Emmanuel Macron, enalteceu a importância da revolução do 25 de abril no caminho democrático europeu, recordando que “a Europa de hoje deve muito” à coragem dos então jovens ‘capitães de abril’.

“Amanhã (quinta-feira), celebram-se os 50 anos da Revolução dos Cravos. Gostaria de associar-me aos nossos amigos em Portugal, aos portugueses em França e a todos os nossos compatriotas de origem portuguesa para celebrar este aniversário, tão importante para a democracia na Europa”, afirmou o chefe de Estado francês num vídeo divulgado por ocasião dos 50 anos do 25 de abril.

Na mesma mensagem, o Presidente francês não esqueceu os jovens ‘capitães de abril’ que “manifestaram a esperança de um povo inteiro na paz e na democracia ». « Nem trinta anos tinham e já eram heróis. A Europa de hoje deve muito à sua coragem”, afirma Macron.

Para o chefe de Estado francês, a amizade entre Portugal e França é até hoje reforçada pelo fluxo de cidadãos, desde a ditadura quando muitos portugueses procuraram uma vida melhor em França e até hoje vivem entre os dois países.

“A França orgulha-se de ter acolhido no seu território centenas de milhares de portuguesas e portugueses nos anos 50 e 60, desterrados pela pobreza, pela violação sistemática dos seus direitos, pela repressão política arbitrária e cruel, e por recusarem-se em participar neste sistema e nestas guerras injustas”, disse o Presidente francês.

Atualmente, os dois países partilham “laços seculares”, preparam o futuro da União Europeia e defendem as causas que determinam o futuro, partilhando “a mesma visão de um mundo livre, democrático e justo”, defendeu o Presidente francês.

“Devemo-lo à memória dos ‘capitães de abril’ e ao povo português que, há cinquenta anos, se levantou contra a injustiça e a pobreza e conquistou a admiração da França, da Europa e do mundo com um cravo vermelho na mão”, disse Macron, finalizando a sua mensagem com “25 de abril, sempre! Viva Portugal! Obrigado a Portugal!”.

No vídeo, Macron ainda enumerou algumas personalidades portuguesas que lutaram pela democracia, como Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, que lutaram pelos direitos das mulheres, bem como Mário Soares, Álvaro Cunhal e Emídio Guerreiro, que se refugiaram na França antes da revolução, tendo regressado a Portugal após o 25 de abril de 1974.

Veja aqui: 

 

PR Marcelo diz que “temos de pagar” pela escravatura em África e crimes coloniais

Presidente Marcelo diz que “temos de pagar” pela escravatura em África e massacres coloniais.

As declarações foram proferidas durante um jantar na terça-feira, 23, com jornalistas correspondentes estrangeiros.

A este respeito, o Presidente da República prometeu designadamente “ver como podemos reparar” as ações criminosas “em que os responsáveis ​​não foram presos”, bem como vir a devolver “os bens que foram saqueados”.

A este respeito a agência Lusa publicou o despacho seguinte:

Marcelo Rebelo de Sousa defende pagamento de reparações por crimes da era colonial

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu responsabilidades de Portugal por crimes cometidos durante a era colonial, sugerindo o pagamento de reparações pelos erros do passado.

« Temos de pagar os custos. Há ações que não foram punidas e os responsáveis não foram presos? Há bens que foram saqueados e não foram devolvidos? Vamos ver como podemos reparar isto », afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, citado pela agência Reuters.

O Presidente da República falava, na terça-feira, durante um jantar com correspondentes estrangeiros em Portugal.

No evento, Rebelo de Sousa disse que Portugal « assume toda a responsabilidade » pelos erros do passado e lembra que esses crimes, incluindo os massacres coloniais, tiveram custos.

Há um ano, na sessão de boas-vindas ao Presidente brasileiro Lula da Silva, que antecedeu a sessão solene comemorativa do 49.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que Portugal devia um pedido de desculpa, mas acima de tudo devia assumir plenamente a responsabilidade pela exploração e pela escravatura no período colonial.

« Não é apenas pedir desculpa – devida, sem dúvida – por aquilo que fizemos, porque pedir desculpa é às vezes o que há de mais fácil, pede-se desculpa, vira-se as costas, e está cumprida a função. Não, é o assumir a responsabilidade para o futuro daquilo que de bom e de mau fizemos no passado », defendeu.

Durante mais de quatro séculos, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram raptados, transportados à força para longas distâncias por navios e mercadores maioritariamente europeus e vendidos como escravos.

50 anos da Revolução dos Cravos no Théâtre de la Ville, Paris. O programa musical da noite de 25 de abril

No dia em que se assinalam os 50 anos da Revolução dos Cravos, o Théâtre de la Ville em Paris organiza um evento onde a música vai estar em destaque.

Maria Reis vai interpretar canções de intervenção portuguesas dos anos 60 e 70
• O grupo África Negra, de São Tomé & Príncipe, acrescenta a esta noite que se prevê fantástica os ritmos Puxa & Rumba
• A pianista Joana Gama e a coreógrafa e cantora Tânia Carvalho levam ao palco um momento mais intimista com poemas e canções tradicionais

Théâtre de La Ville/Sarah Bernhardt:
2, Place du Châtelet
75004 Paris

Quer assistir ? Reserve aqui : https://bit.ly/49O9ZQ3

Este é mais um evento com o apoio da Rádio Alfa!

Histórias de Abril – 50 anos da Revolução dos Cravos

25 Abril: Kissinger desculpou URSS em 1975, mas receava que comunistas matassem Soares

25 Abril: Kissinger desculpou URSS em 1975, mas receava que comunistas matassem Soares

 

Henry Kissinger, secretário de Estado norte-americano, olhou a Revolução dos Cravos com desconfiança e pessimismo, receava que os comunistas matassem Mário Soares em 1975, mas desculpou os soviéticos pela onda vermelha em Portugal.

A Revolução dos Cravos, depois do 25 de Abril de 1974, prolongou-se até ao 25 de Novembro de 1975, o confronto militar em que os “moderados” e o PS venceram a “esquerda militar”, após meses de radicalização no país, à direta e à esquerda, bombas em sedes do PCP, ocupações de terras no Alentejo. E fez-se de jogos de sombras, de apoios, mais ou menos às claras, dos soviéticos aos comunistas e dos norte-americanos aos chamados moderados, a começar pelo PS, num mundo dividido pela Guerra Fria, entre os EUA e a URSS.

Num tempo em que as ameaças de golpe, à direita e à esquerda, eram notícia de capa de jornal, o secretário de Estado de Richard Nixon e de Gerald Ford, admitia, em surdina, que Portugal seguisse os passos, um ano antes, do Chile, onde o general Pinochet, com o apoio de Washington, liderou o golpe da extrema-direita que depôs (e matou) Salvador Allende, à frente de um Governo de frente de esquerda.

Em 04 de fevereiro 1975, antes de Portugal ir a votos em 25 de abril – eleições que deram a vitória ao PS de Soares e apenas 12% ao PCP – Kissinger reuniu-se com o chamado Comité dos 40, organismo que supervisionava operações clandestinas e que incluía os serviços secretos, a CIA.

“Os comunistas vão arrastar Soares para a esquerda até ele perder apoio e depois vão matá-lo. As forças armadas vão fazer um golpe de estado sob liderança dos comunistas”, antevia Kissinger.

Crítico de Mário Soares, que considerava fraco, Kissinger chegou a dizer-lhe, em outubro de 1974, que seria o “Kerensky português”, o dirigente socialista russo derrotado por Lenine na revolução russa de 1917. Um erro de análise admitido anos mais tarde, numa conversa com Soares, então primeiro-ministro.

As eleições para a Assembleia Constituinte, em abril de 1975, ditaram a vitória dos moderados, mas o secretário de Estado não entendia que os comunistas continuassem no Governo em Portugal e admitia um golpe.

Em agosto de 1975, Kissinger reuniu-se em Washington com o embaixador norte-americano em Lisboa, Frank Carlucci, em que foram discutidas as hipóteses de êxito de um golpe da direita em Portugal. “Não sou assim tão contra um golpe desse tipo [de direita]”. A confissão surge em letra de forma numa ata revelada há dez anos pelo Departamento de Estado, que desclassificou um grande número de documentos até então com o carimbo de secretos.

Já tinha passado mais de um ano sobre o golpe que derrubou a ditadura, a 25 de Abril, e o Governo de Lisboa era liderado por Vasco Gonçalves, o “inimigo número um” dos EUA. Carlucci insistiu que o maior risco para os objetivos norte-americanos eram António de Spínola, primeiro Presidente após o 25 de ABril, que fugiu de Portugal na sequência da tentativa de golpe de 11 de março, e a extrema-direita.

Carlucci opôs-se, tal como já se opusera à tese da vacina de Kissinger: “perder” Portugal para os comunistas, apoiados pela União Soviética, porque tal funcionaria como “vacina” para Espanha ou Itália. O diplomata defendeu, isso sim, o apoio dos EUA aos “moderados”, incluindo o PS de Mário Soares.

A outra dor de cabeça em Washington era o apoio soviético ao PCP de Álvaro Cunhal. Surpreendentemente, em 15 de agosto de 1975, numa reunião em Washington, o secretário de Estado desresponsabilizou, em privado, a URSS pela radicalização política durante o processo revolucionário em 1975, mas subiu, em público, o tom do discurso para evitar que os soviéticos pusessem “a mão em Portugal”.

“Não é justo culpar os soviéticos pelo que se está a passar em Portugal”, comentou Kissinger numa reunião de um grupo informal sobre o controlo de armamento, que juntava especialistas de universidades, em 15 de agosto, no Departamento de Estado, numa altura em que Portugal vivia o que se chamou Verão Quente.

Kissinger tinha feito, na véspera, em Alabama, um discurso de aviso quanto a Portugal, “em parte devido à pressão [de Moscovo] e em parte para evitar que os soviéticos ponham a mão em Portugal”.

Mas “falar aos soviéticos” não. Foi o que Kissinger disse nessa reunião em Washington. “É um sinal de fraqueza nossa irmos falar aos soviéticos. A sua contribuição [para Portugal] é relativamente menor e se não conseguirmos contrapor o dinheiro que eles [soviéticos] estão a investir, estamos numa má situação. Se tivéssemos feito em Portugal o que fizemos no Chile, o resultado seria o mesmo”, afirmou.

Ao “falar aos soviéticos”, Kissinger refere-se aos avisos de vários líderes europeus, entre eles o chanceler da RFA, Helmut Schmidt, ao líder soviético, Leonid Brejnev, para travar qualquer tentativa de tomada do poder pelos comunistas portugueses.

Alfa/ com Lusa 

« Salazar a cultivé de son vivant la rhétorique de l’invisibilité et la volonté d’être masqué » – Yves Léonard

António de Oliveira Salazar, figure méconnue et singulière, a régné sur le Portugal de juillet 1932 à septembre 1968. Yves Léonard, historien et enseignant à Sciences Po Paris, publie Salazar, le dictateur énigmatique aux éditions Perrin : la première biographie universitaire en France, sur le moine-dictateur portugais.

Entretien avec Didier Caramalho dans l’ALFA 10/13 du 23 avril 2024 :

 

Né en 1889, António de Oliveira Salazar accède au pouvoir en 1928 en tant que ministre des Finances, avant d’être adoubé par les militaires comme président du Conseil en 1932. Il met alors en place la dictature de l’Estado Novo (l’Etat Nouveau, en français) avec l’aide de la PIDE (Police Internationale et de Défense de l’Etat) et de la censure. Salazar a insufflé dans son État autoritaire une pensée qui prône le retour à la terre, la foi en Dieu, le respect des traditions, l’ordre et le travail : l’Église, la hiérarchie militaire et le patronat étaient ses trois principaux soutiens – et pas des moindres.

En août 1968, après 36 années au pouvoir, Salazar tombe de sa chaise. Littéralement. Blessé sans gravité, il est ensuite admis à l’hôpital et l’on constate alors qu’il souffre d’une hémorragie cérébrale. Plus tard, victime d’un AVC, le dictateur est écarté implicitement du pouvoir et remplacé par Marcelo Caetano. Floué par une mise en scène bien orchestrée, Salazar pense toujours être le président du Conseil et personne n’osera jamais lui avouer la vérité. Il est le personnage principal d’un théâtre d’ombres. António de Oliveira Salazar mourra dans le Palais de São Bento, le 27 juillet 1970. Son régime lui a survécu avant de s’effondrer, le jeudi 25 avril 1974, avec la Révolution des Œillets.

Universitaire mal à l’aise en public mais excellent dans les face-à-face individuels, personnalité glaçante et misanthrope, implacable et ductile, notamment sur la scène internationale, Salazar s’est montré maître dans l’art de durer et de se présenter comme providentiel (le salazarisme s’inscrivant dans la tradition du sébastianisme, autrement dit l’attente infinie d’un sauveur).

Salazar, le dictateur énigmatique. Perrin, 528 p., 26 €
Yves Léonard | Salazar, le dictateur énigmatique. Perrin, 528 p., 26 €

Salazar, le dictateur énigmatique (éditions Perrin) est la première biographie universitaire en langue française sur le « moine-dictateur », « marié à la Nation portugaise » comme aime à dire l’endoctrinement salazariste. Cette biographie met en lumière les vies parallèles du dictateur, celles que la propagande ne relate pas : en se penchant de près sur ses origines relativement modestes (le dictateur déclare en 1949, « je dois à la Providence la grâce d’être pauvre »), sur son parcours universitaire, ses cercles relationnels et sa vie privée, Yves Léonard retrace l’itinéraire d’un homme ambitieux qui a su habilement se dissimuler pour diriger comme il l’entendait.

Salazar, le dictateur énigmatique (éditions Perrin) d’Yves Léonard est déjà un livre de référence. C’est donc en compagnie de l’historien, auteur de nombreux ouvrages sur l’histoire contemporaine du Portugal, que l’ALFA 10/13 redessine le portrait du dictateur portugais – jusqu’aujourd’hui fantasmé.

Didier Caramalho

Artur Soares Dias estará na fase final do Euro2024

O árbitro português Artur Soares Dias vai voltar a estar presente na fase final de um Campeonato da Europa de futebol, repetindo o Euro2020, enquanto Tiago Martins se estreia no videoárbitro (VAR), anunciou a UEFA.

 

Foto. Artur Soares Dias no Euro 2024

 

Soares Dias, de 44 anos, da associação do Porto, integra a lista de 18 árbitros escolhidos pela UEFA para o Euro2024, que vai ser disputado na Alemanha, entre 14 de junho e 14 de julho, tornando-se no segundo juiz de campo luso a « bisar » em fases finais, depois de José Rosa Santos.

António Garrido, em 1980, foi o primeiro luso numa fase final de um Europeu, seguindo-se Rosa Santos, em 1988 e 1992, Vítor Pereira, em 2000, Lucílio Baptista, em 2004, e Pedro Proença, em 2012.

Tiago Martins, da associação de Lisboa e de 43 anos, junta-se à restrita lista de árbitros portugueses em europeus, mas como um dos 20 VAR, tal como sucedeu com João Pinheiro no Euro2020.

Igualmente nomeado para o Euro2024 foi João Dias, responsável pelo treino dos árbitros nacionais, que vai desempenhar as mesmas funções durante a competição.

No âmbito de uma cooperação entre a UEFA e a CONMEBOL, Facundo Tello, árbitro argentino, e dois assistentes, estarão presentes na competição, que se realiza na Alemanha, entre 14 de junho e 14 de julho.

A lista de 19 nomes é composta por:

  • Artur Soares Dias (Portugal)
  • Jesús Gil Manzano (Espanha)
  • Marco Guida (Itália)
  • Istvan Kovacs (Roménia)
  • Ivan Kruzliak (Eslováquia)
  • François Letexier (França)
  • Danny Makkelie (Países Baixos)
  • Szymon Marciniak (Polónia)
  • Halil Umut Meler (Turquia)
  • Glenn Nyberg (Suécia)
  • Michael Oliver (Inglaterra)
  • Daniele Orsato (Itália)
  • Sandro Schärer (Suiça)
  • Daniel Siebert (Alemanha)
  • Anthony Taylor (Inglaterra)
  • Clément Turpin (França)
  • Slavko Vinčić (Eslovénia)
  • Felix Zwayer (Alemanha)
  • Facundo Tello (Argentina)

 

Com Agência Lusa.

50 anos do 25 de abril em Lisboa: o programa oficial. Presidentes dos PALOP convidados

Imagens do arquivo da Câmara de Lisboa: 25 abril, comemoração dos 49 anos no Terreiro do Paço (« Abril em Flor »)

Alfa

A Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril, vai realizar as principais manifestação e concentração do 50º aniversário do 25 de Abril na praça do Rossio, em Lisboa.

O desfile popular começa na Praça Marquês de Pombal, segue pela Avenida da Liberdade e termina na Praça D. Pedro IV (Rossio), onde terão lugar 2 intervenções e vários momentos culturais e musicais com atuação de vários grupos.

Antes, as comemorações oficiais decorrem no Terreiro do Paço com a cerimónia militar, presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, que está marcada para as 9h00.

Estarão presentes mais de mil militares, dos três ramos das Forças Armadas, dos quais 430 em parada.

A habitual cerimónia na Assembleia da República começa a seguir. O Presidente da República e o primeiro-ministro vão estar presentes, assim como os grupos parlamentares que terão a palavra na AR.

Os Presidentes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) foram convidados para as comemorações oficiais.

Os chefes de Estado de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e também Timor-Leste já confirmaram a presença.

Na realidade, as comemorações começam na noite de 24, como assinala a agência Lusa: 

25 Abril: ‘Videomapping’ e concerto no Terreiro do Paço celebram a Revolução

O Terreiro do Paço, em Lisboa, é palco hoje à noite do espetáculo “Uma ideia de Futuro”, que inclui ‘videomapping’ de fotografias captadas em Abril de 1974 e um concerto que vai reunir 180 músicos em palco.

Naquela que é uma das principais praças de Lisboa e onde o Movimento dos Capitães viveu alguns dos seus momentos-chave, os 50 anos do 25 de Abril de 1974 começam a ser celebrados às 22:00, com a projeção nas fachadas dos edifícios de um ‘videomapping’ com fotografias de Alfredo Cunha, um dos fotógrafos que imortalizou a ‘revolução dos cravos’, e música de Rodrigo Leão.

O ‘videomapping’ irá ser hoje apresentado também em locais centrais de outras cidades portuguesas, como Porto e Matosinhos.

Em Lisboa, ao ‘videomapping’ seguem-se “as canções de Abril”, que irão reunir em palco 180 músicos.

De acordo com a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), “temas de José Afonso, José Mário Branco, Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Fernando Lopes-Graça e Carlos Paredes serão interpretados pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa, o Coro de Santo Amaro de Oeiras e o Coro da Escola Artística do Instituto Gregoriano de Lisboa, juntando-se os solistas Marina Pacheco (soprano) e Mário João Alves (tenor) e os músicos Gaspar Varela (guitarra portuguesa), Pedro Mourato (guitarras), Francisco Santos (baixo elétrico) e Sertório Calado (bateria)”.

Além disso, será apresentado o tema inédito “Abril é sempre Primavera”, com letra de José Luís Peixoto e música de Luís Varatojo e Filipe Raposo, “que conta com a participação de várias vozes conhecidas do Fado e da música portuguesa”.

O espetáculo, com conceção e direção artística do músico Luís Varatojo, contará ainda com a narração de histórias, por seis jovens atores, “acerca do Portugal de hoje e do caminho percorrido, e pela projeção de imagens que ilustram histórias e canções”.

Na festa do Terreiro do Paço, promovida pela Câmara Municipal de Lisboa e com produção da EGEAC, “não poderiam faltar cravos que serão distribuídos sob forma de pins”.

Os cravos foram feitos por reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires, “reutilizando materiais dos pendões das Festas de Lisboa 2023 transformados agora num objeto simbólico para assinalar a data fundadora da Democracia”.

De acordo com a EGEAC, cerca da meia-noite haverá fogo de artifício e uma “surpresa final”.

O espetáculo “Uma ideia de Futuro” tem entrada livre.

25 Abril: Maria Luz e a independência de Angola que podia ter sido uma coisa muito bonita

25 Abril: Maria Luz e a independência de Angola que podia ter sido uma coisa muito bonita

 

Maria Luz passou mais de metade da sua longa vida em Angola e escolheu ficar quando muitos partiram. Diz que a Independência “podia ter sido uma coisa muito bonita”, mas faltou concretizar o sonho de uma Angola melhor.

É numa das zonas nobres de Luanda, junto ao cemitério do Alto das Cruzes, que continua a viver, na casa de família concluída em 1952 e para onde se mudou pouco depois da sua chegada à capital angolana, em setembro de 1951, depois do nascimento da primeira filha.

Nascida em Matosinhos em 1930, Luz cruzou-se com António, seu futuro marido, num baile de Carnaval. Passaram também a encontrar-se na missa, ocasião para trocas de olhares e conversas que rapidamente evoluíram para o namoro e daí para o noivado que deu em casamento no ano de 1951.

A morte do sogro obriga a mudar os planos do jovem casal. António tem de regressar a Angola para tomar conta dos negócios do pai, Mabílio de Albuquerque, fundador de uma casa comercial centenária, inaugurada em 1923, a única sobrevivente na Baixa de Luanda instalada num emblemático edifício coroado por quatro estátuas.

Maria Luz segue-o. Embarcam no “Império”, paquete português que operava a carreira colonial, em 1951 e chegam a Luanda após uma viagem de doze dias, juntamente com um perdigueiro.

Era o tempo em que “os passageiros vestiam a rigor” e que “eram bonitas as viagens de barco”.

“Havia dias de semana em que senhoras iam de vestido comprido, os homens usavam smoking africano, era casaco branco, lacinho, calças pretas, havia primeira, segunda e terceira (classes), parava-se nos Açores, na Madeira e em São Tomé”, descreve Luz.

Recém-casada e grávida da primeira filha – que seria um dos primeiros bebés a nascer na Casa de Saúde de Luanda, atual maternidade Augusto Ngangula – Luz, trazia “aquela sensação” de vir para um mundo desconhecido, superando os receios com o amor.

“Eu e o meu marido gostávamos muito um do outro”, afirma, com o rosto iluminado.

Do dia da chegada, recorda o calor intenso, apesar de ser época de cacimbo.

De espírito aberto e boa conversadora, vai-se entrosando com a sociedade local, ocupando os dias nas compras, convívios “em casa de uns e de outros”, missas ao domingo e idas ao Mussulo, enquanto o marido dava preferências a pescarias e caçadas.

A vivenda da família, que usufruía de uma magnifica vista para a baía, hoje tapada por três edifícios abandonados, guarda em cada canto as vivências africanas dos seus proprietários.

Na sala, troféus recordam as glórias passadas das caçadas de António, há telas de artistas angolanos, esculturas tradicionais, um painel em madeira do pintor Neves e Sousa, e as memórias da família preservadas em livros e fotografias.

Ocasionalmente, Luz acompanhava o marido nas caçadas e recorda o dia em que o jipe parou para ver “uma grande patada de elefante” na terra molhada.

“O meu marido saiu do jipe, foi com o rapaz, levou a arma, nós ouvimos pum-pum. Passado um bocado veio o rapaz ter connosco e diz “o Sr. Albuquerque pediu às senhoras para virem ver”. E quando chegamos lá ele estava em cima do elefante”, contou à Lusa.

“Do nada” começam uma fazenda de gado no Cuanza Sul, na década de 60.

“A minha primeira casa foi uma cubata e a cozinha uma tábua e dois tambores, uma cubata para os miúdos e assim começámos”, recorda.

Na fazenda, hoje mais conhecida como Fazenda Cuerama, no município da Quibala, onde a filha Olga desenvolveu um projeto social com escola, posto médico e oficinas pedagógicas de cerâmica, carpintaria e costura, sofreu-se o drama da guerra e um dos empregados morreu devido a uma mina.

“Foi horrível”, lamentou.

Mas houve também episódios pitorescos, como o dia em que o líder da UNITA, Jonas Savimbi, “um grande homem, que falava muito bem, escrevia muito bem” chegou a propor “um vencimento fantástico” a António para que fosse seu piloto, oferta diplomaticamente recusada porque o marido “tinha a firma e não a podia abandonar”.

Quando começaram “as confusões” do 25 de abril, o marido entrega as armas de caça. “Graças a Deus” continuam sem problemas, mas Luz vai-se despedindo dos amigos.

“Começaram a ir as mulheres e as crianças embora, os maridos ficaram e nós não sabíamos o que ia acontecer porque Salazar não queria que Angola fosse independente. Era um homem muito culto, intelectual, mas quanto ao ultramar, não”, critica, sublinhando que “o processo depois da independência podia ter sido uma coisa mais bonita”.

E não teve medo de ficar? “Não”, afirma perentória, com a firmeza de quem passou antes pelo conflito espanhol e por uma guerra na Europa.

“Acho que o meu lugar era estar ao lado do meu marido, estou convencida que se o meu marido visse um grande perigo ou íamos ou dois ou mandava-me embora”, salientou, acrescentando que viveu o 25 de abril “com alegria porque era um passo para a independência”, a que todos aspiravam.

Mas a Independência não trouxe exatamente o que se esperava: “Nessa altura não se podia falar. Vinha um e nos dizíamos ‘muito bem, muito bem’, vinha outro com as suas ideias e nos dizíamos ‘muito bem, muito bem’ e foi assim que nesta sala conversávamos sempre, uns eram da UNITA outros eram das FAPLA. Mas o meu marido dizia: nós estamos aqui a conversar sobre o futuro de Angola, mas não somos nós que o vamos fazer, vamos contribuir”.

Os anos do pós-independência, em 11 de novembro de 1975, não foram fáceis, com senhas de racionamento, muitas lojas a fechar e colonos a partir deixando para trás bens e recordações.

“Foi um bocado confuso nessa altura, diziam assim: o branco vai-se embora, ficas com a casa do branco, o carro do branco e não é preciso trabalhar mais. Mas não podia ser. Prometeram muitas coisas que não podia ser”, desabafa.

Quase 50 anos depois da independência diz, de sorriso aberto que é hoje mais angolana do que portuguesa.

Mas lamenta que aquele sonho da “Angola melhor” não se tenha concretizado.

Do Dia da Independência recorda a caldeirada de cabrito que estava a preparar para os amigos, a preocupação do marido Antonio e a serenidade do cunhado Mabílio.

“Nós estávamos preocupados porque ele nunca mais aparecia. E o meu marido foi ao apartamento dele e escreveu-lhe um papel: Mabílio estamos preocupados, não sabemos onde é que tu estás. Nisto ouve-se um barulho e lá vinha ele da praia ‘muito descontraído’”, recorda entre risos.

Alfa/ Lusa

Benfica vence em Faro e mantém-se a sete pontos do líder Sporting

O Benfica venceu hoje na visita ao Farense, por 1-3, em jogo da 30ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, mantendo-se a sete pontos do líder Sporting, quando estão 12 em disputa.

O turco Kökçü deu vantagem aos ‘encarnados’, aos 16 minutos, o argelino Belloumi empatou, sete minutos depois, mas o brasileiro Arthur Cabral, aos 34, de calcanhar, e o espanhol Álvaro Carreras, aos 67, selaram o segundo triunfo seguido dos campeões nacionais.

Com esta vitória, o Benfica soma 73 pontos, mantendo-se no segundo lugar, a sete do Sporting, enquanto o Farense permanece no 10º lugar, com os mesmos 31 pontos de Rio Ave e Gil Vicente, 11º e 12ºs classificados, respetivamente.

 

Resultados da 30ª jornada da I Liga portuguesa de futebol:

– Sexta-feira, 19 abr:

Rio Ave – Arouca, 1-1 (1-0 ao intervalo)

 

– Sábado, 20 abr:

Moreirense – Gil Vicente, 0-1 (0-1)

Boavista – Estrela da Amadora, 1-1 (0-0)

Sporting de Braga – Vizela, 2-1 (0-0)

 

– Domingo, 21 abr:

Desportivo de Chaves – Estoril Praia, 2-2 (1-0)

Famalicão – Portimonense, 2-2 (0-1)

Casa Pia – FC Porto, 1-2 (1-1)

Sporting – Vitória de Guimarães, 3-0 (2-0)

 

– Segunda-feira, 22 abr:

Farense – Benfica, 1-3

Programa da 31ª jornada:

– Sexta-feira, 26 abr:

Gil Vicente – Arouca, 21:15

 

– Sábado, 27 abr:

Casa Pia – Desportivo de Chaves, 16:30

Vizela – Rio Ave, 16:30

Benfica – Sporting de Braga, 19:00

Vitória de Guimarães – Boavista, 21:30

 

– Domingo, 28 abr:

Portimonense – Moreirense, 16:30

Estoril Praia – Famalicão, 19:00

FC Porto – Sporting, 21:30

 

– Segunda-feira, 29 abr:

Estrela da Amadora – Farense, 21:15

 

Com Agência Lusa.

« Je veux que les Portugais de France connaissent leur histoire pour arrêter de se dénigrer » – Bruno Lorvão

Le documentaire La Révolution des Œillets sera diffusé ce dimanche 28 avril, à 23h sur France 5. Co-réalisé par le franco-portugais Bruno Lorvão, ce film entièrement constitué par des images d’archives, raconte dans le détail la journée du jeudi 25 avril 1974.

Entretien avec Didier Caramalho dans l’ALFA 10/13 du 22 avril 2024 :

 

Jusqu’en 1974, le Portugal est maintenu (depuis 48 ans) sous une lourde chape de plomb. À l’heure où les grandes puissances européennes ont abandonné une à une leurs colonies, le Portugal d’António de Oliveira Salazar et Marcelo Caetano s’entête à préserver les vestiges d’une époque disparue. Ses territoires africains d’Angola, de Guinée-Bissau et du Mozambique sont le théâtre de conflits qui s’enlisent depuis 1961. Malgré des dépenses militaires de moins en moins soutenables, les dirigeants de l’Estado Novo s’obstinent à privilégier l’action armée, refusant de voir la réalité en face : sa population est analphabète, meurt de faim et sa jeunesse choisit l’exil pour fuir les guerres coloniales.

Une poignée d’officiers décide alors de prendre les choses en main. Né dans les colonies africaines, l’élan révolutionnaire se diffuse, jusqu’à atteindre la métropole. Les capitaines se fédèrent et noyautent la quasi-totalité des casernes du Portugal. Quand le signal du soulèvement est donné (Grândola Vila Morena de Zeca Afonso sur Radio Renascença à 00h20) les forces loyalistes sont balayées en quelques heures. Ce coup d’État sans violence est inédit dans l’Histoire. Les soldats ont en plus entraîné dans leur mouvement la majorité d’une population qui perdait espoir. Le jeudi 25 avril 1974 a lieu la Révolution des Œillets : la population portugaise et les peuples des colonies retrouvent enfin leur liberté.

Photo tirée du documentaire "La Révolution des Œillets" de Bruno Lorvão et Paul Le Grouyer
Photo tirée du documentaire « La Révolution des Œillets » de Bruno Lorvão et Paul Le Grouyer

La Révolution des Œillets est un documentaire en français de 52 minutes, réalisé par Bruno Lorvão et Paul Le Grouyer. Produit par CinéTévé (Fabienne Servan-Schreiber et Fatma Tarhouni) avec la participation de France Télévision et en partenariat avec le CNC et la RTBF, Asharq News Services et AMC Networks Spain. Un documentaire réalisé sous le regard attentif de l’historien Yves Léonard.

Didier Caramalho

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